Editorial

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Artigo:

Brasil, até na fronteira
Uma fila de, aproximadamente, 6 carros se formava na fronteira. Os ocupantes do carro saíram do Brasil como se fossem invisíveis. Mas entrar na Argentina exigia paciência e um controle unitário: todos os ocupantes de veículos e pedestres precisavam ser identificados. “Na Argentina, nada passa.”, diria mais tarde um motorista de ônibus. Documentos de volta na mochila, era hora de curtir o passeio. Não importa o que se ouviu até hoje sobre as Cataratas do rio Iguaçu. Nenhum visitante vai se cansar de explanar os mais diversos adjetivos em todas as línguas possíveis - diga-se de passagem que as trilhas das Cataratas chegam muito perto da visão de uma torre de Babel molhada – para exprimir o que vê o que sente. É muita beleza natural junta. Vários saltos pequenos, a Garganta do Diabo, passeio de barco com direito ter até o pensamento encharcado pela água de uma das quedas mais simplórias, passeio de trem no meio do mato, aula ecológica sobre fauna e flora, encontro com os Quatis que tratam com desdém incomum a presença do homem, enfim, um conjunto de atividades e experiências que relaxam até o mais tenso dos seres humanos. Lá não cabem preocupações como crise mundial ou problemas multinacionais. Mais uma vez a natureza ensina suas lições: desconhece a “região de fronteira” e mesmo que haja disputas sobre o lado mais bonito das Cataratas, ela é pujante em mostrar sua força, beleza e diversidade a quem quiser ver, sem restrições. O horário de fechamento do parque vai se aproximando e, depois de uma breve olhada no mapa, checando que tudo a ser visto foi percorrido, era hora de voltar.
A volta pra Foz do Iguaçu, retorno ao Brasil, deveria ser feita a partir de 3 ônibus. Para quem não tem muito horário marcado nem compromisso, não havia problema esperar.
Uma fila de mais de 70 pessoas aguardava o ônibus. “Puxa, será que sabendo que o parque fecha nesse horário, eles não poderiam colocar mais um ônibus?”, ouvi num português mixado com sotaque espanhol. Como por um passe de mágica, apareceu um e outro e outro. Pronto, estava resolvido. Todas as aquelas pessoas poderiam embarcar naquele momento rumo a Puerto Iguazu. Lá pegariam outro ônibus para Foz. No terminal argentino de Puerto Iguazu a informação era de o próximo ônibus a Foz sairia em uma hora. E era o último. As 19h de um domingo ensolarado só havia mais um ônibus para levar as pessoas de um país a outro! Uma distância relativamente pequena para uma demora e tão poucos ônibus. Quando o ônibus chegou ninguém acreditou. Um micro ônibus, com capacidade para 20 pessoas sentadas, esperava abarcar os 80 passageiros que precisavam voltar. E enquanto alemães, brasileiros de vários estados, italianos, japoneses, argentinos e mais um punhado de outras nacionalidades se amontoavam para poder caber no “último ônibus” para passar a fronteira, as reclamações começaram nos mais diversos idiomas.
- Não acredito que vão colocar toda essa gente aqui;
- Seu motorista! Não tem condições mais!
- Gente, dá um apertadinha aí atrás, é o último...
Enfim entraram as 80 pessoas de diversas nacionalidades, inclusive a avó com bengala e dificuldade pra caminhar.
O ônibus anda e as pessoas se ajeitam e se encaixam... Ouve-se ainda uns balbucios de reclamações, mas nada que pudesse mudar aquela cena. Na fronteira o controle argentino era implacável:
- desce todo mundo para passar na identificação.
E aquele pessoal que já tinha se ajeitado, teve que descer e buscar documentos nas mochilas e gritar para alguém ajudar a vozinha... Depois de mais uma fila de identificação volta todo mundo pro ônibus.
- É problema do DNIT. Porque no domingo só colocam 4 ônibus para funcionar. São 8 no total. E metade é de uma empresa argentina e metade de uma brasileira. Hoje estragou um ônibus argentino e não repuseram. Mas é um absurdo mesmo, explicava o motorista que já estava farto de brincar de enlatador de sardinhas humanas. Podia ter sido um sonho meio ruim, mas isso é Brasil. Também.
Nívea Bona
Professora de Jornalismo - Facinter

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Artigo:

Lutando para voltar a ser um dos melhores
Era tudo o que uma torcida desejava. Titulo antecipado da série B do brasileirão... e agora, para a temporada 2009, a contratação mais incrível e ousada que um clube brasileiro poderia fazer.
Essa é a cara do Corinthans, com a mais nova façanha do clube paulista.
Essa semana, o timão paulista fechou contrato com Ronaldo Nazário, (o Fenômeno). Um tiro no escuro, talvez, uma aposta desafiadora. O que o torcedor quer saber é se o Fenômeno vem para erguer mais ainda o Corinthans, ou para que o timão o levante e o deixe no topo novamente?
Erguendo o timão ou erguendo Ronaldo, está sendo uma contratação a dar o que falar. É corinthiano não gostando, palmeirense adorando, são paulino dizendo que não vai levantar nem um nem outro...
De fato, o país diz que Ronaldo tem técnica, mas seu futebol já é passado. Mal se lembram que a façanha de Romário na copa de 94 foi a mesma de Ronaldo em 2002, até um pouco melhor. O homem com 3 títulos de melhor jogador pela FIFA, com o poder de ser chamado de "único" simplesmente "único" a fazer 15 gols em Copas do Mundo e ser o maior artilheiro de todos os tempos, que faz tremer as pernas dos adversários, tanto em campo quanto fora deles que agora está sendo... Saibam todos que ele ainda está vivo e que nem lendas como Pelé, Maradonna, Platiní, Franz Beckembauer não morrem no esquecimento, muito menos um Fenômeno.
É claro que para assistir a gols vindos dos pés de Ronaldo será apenas uma questão de tempo. E o timão dará graças a São Jorge, é claro.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 21 de dezembro de 2008

Artigo

E o brega voltou!
Andar feio é uma coisa. Andar jeca é totalmente diferente. Agora, andar brega, ninguém merece! Um modo de se vestir já meio extinto, meio desapropriado para os dias de hoje. Mas como a moda de hoje é estar na moda de ontem, o brega pode voltar a qualquer momento, isso é, se já não chegou. Assim foi com a calça boca larga dos anos 70 e que meados dos anos 2000/01 estavam em alta na vestimenta pública em alguns lugares do Brasil.
No último dia 13 na cidade de Piraí do Sul, cerca de 180km de Curitiba, o mundo voltou aos seus anos de breguisse. Uma maravilha de se ver. Meias coloridas até ao joelho e sandalhas vermelhas era uma das façanhas que mais se via. Homens elegantemente engraçados. Jamais pode-se ver tanta gente vestida de uma forma tão "BREGA" em um mesmo ambiente. É lógico que haviam pessoas normais que nem mesmo com o propósito da festa, teve a capacidade de ao menos colocar uma gravata florida ou uma regata repleta de lantejolas brilhantemente iluminados com o jogo de luzes de um clube que comporta pouco mais de 300 pessoas.
Sim, o lugar não era imensurávelmente grande, muito menos sofisticado. Um salão em que se era válido somente a diversão.
Uma diversidade interessante quanto ao som. Um contraste perfeito. Entre uma música e outra, o batido de Rihanna com o molejo quente de Sidney Magal e o pula – pula do Balão Mágico. É verdade, o Balão Magico renasceu naquele lugar.
Na verdade, renasceu a vontade de cada Piraiense em vestir o que sempre julgou ser interessante. Um de Falcão, outra de Gretchem. Era possível ver até um Agostinho do seriado "A grande família".
Brega ou não, o povo jóvem da pequena e pacata cidade de Piraí do Sul se divertiu como nunca e voltou ao passado da melhor forma que se pode.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Crítica de Cinema

Entre Lençóis
Dia 05 de dezembro estreou no Brasil o filme "Entre lençóis" do diretor colombiano Gustavo Nieto Roa, estrelado por Reinaldo Gianecchini e Paola de Oliveira.
No filme eles interpretam Roberto e Paula, que são dois jovens que se conhecem numa boate e resolvem se "dar de presente" uma noite inspirada em um motel. Ela porque vai se casar no dia seguinte. Ele porque está em crise no casamento.
A única coisa que vale a pena no filme são as cenas de sexo. São muito bem feitas. Na verdade, o diretor soube tirar proveito daquilo que lhe era mais caro: os corpos dos atores.
De resto tudo são clichês. O roteiro é de novela das oito. Os diálogos são piegas e sentimentalóides. Os personagens são perfeitos demais pra ser verdade. Roberto é lindo, romântico, sincero, bem sucedido e bom de cama. Paula é gostosa, bem educada, moderninha e moça de familia. Difícil de engolir.
Não existe nada no filme que a dupla de atores não tenha vivido na televisão. Com excessão, da tão discutida nudez do filme.
Essa discussão veio a tona quando o ator Pedro Cardoso fez um discurso contra a nudez em uma premiação. Segundo ele, a nudez em filmes e na tv é usada para atrair um público alvo não interessado na arte exatamente, e na maioria das vezes é gratuíta.
Nesse caso, a nudez dos atores é necessária, pois sem ela não existiria filme. Sem ela ninguém iria até o cinema, pagar uma entrada relativamente cara para assistir o que se pode ver na tv. Sem nudez, o filme é pobre, quase miserável. Não tem nenhum problema ver dois lindos corpos se atracando em uma hora e meia. Inclusive tem striptease para todos os gostos. Mas tudo isso caberia num especial de fim de ano da Globo, ou sendo mais econômico, num clipe da MTV.
Simone Lima
Estudante de Com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Artigo: O Furacão Renasce

O maior susto alve-negro já sofrido. Cem anos após sua fundação, o Atlético Paranaense fez um jogo de vida ou morte, literalmente. A arena se tornou um maracanã, um templo do futebol onde as cores preto e vermelho tomaram conta.
O confronto rubro negro, independente do resultado, traria resultados surpreendentes. Cariocas buscando uma vaga na Libertadores da América, Paranaenses tentando a qualquer custo a permanência na elite do futebol brasileiro.
Noventa minutos suados, sofridos, a bixada estava verdadeiramente um caldeirão em ponto de ebulição em preto e vermelho.
Minuto a minuto o roer das unhas e o coração esperançoso de cada torcedor de ambas torcidas esperavam um gol se quer. Comemoração essa que inicialmente veio por parte do furacão. Foi o ponto de partida para um jogo repleto de gols. Oito no total. Cinco do Atlético e três do Flamengo.
Assim por diante, outro som já era esperado pelos torcedores do furacão, o apito final, que veio como um título para a baixada.
Literalmente um verdadeiro estrago, tirou o Flamengo da libertadores, assegurou a vaga na Sulamericana e a continuidade na série A e mandou o grande Vasco da Gama para a série B. Um estrago de última hora por um furacão, trazendo choro, e tristezas, pelo lado carioca.
Enfim, o furacão ainda continua vivo.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Crítica de Cinema: Apenas uma vez

Será que existe uma pessoa feita perfeita para nós?
E quando ela chegar nós iremos reconhece-la?
O nosso dia a dia, nossas frustações, responsabilidades, convenções sociais nos privam de viver os sentimentos que realmente importam?
No filme irlandês "Apenas uma vez" ( "Once ") do diretor John Garney, essas perguntas não tem respostas. Pelo contrário, elas só se tornam mistérios maiores ainda.
Glen Hansard e Markéta Irglová são músicos, não atores . No filme eles interpretam algo muito parecido com eles mesmos. A impressão é que ambos não atuam, mas que se deixaram filmar em algum Reality Show. Mais do que isso, o filme tem cara de documentário. Percebe-se que a câmera muitas vezes estava na mão, e o enquadramento é completamente desleixado. No entanto, nada disso o estraga, porque é essa a sua proposta. A pretensão não foi fazer uma obra cinematográfica brilhante, e sim contar uma história de amor bem realista.
Dizem que o orçamento do filme foi de 150 mil dólares. A bilheteria foi bem maior que isso, pois no início do ano Glen e Markéta ganharam o Oscar de Melhor Canção com a música "Falling Slowly, e chamaram a atenção do mundo para sua obra.
O mérito do filme é o casal Glen e Markéta, e as músicas que compuseram para o projeto. Os dois funcionam juntos na tela, têm muito carisma. O terceiro personagem são as canções, originais e lindas. Por isso é impossível imaginar outros atores interpretando em seus lugares.
No filme Markéta Iglóva é uma imigrante tcheca que vende flores na rua para sustentar a familia, que é a mãe e a filha. Quando pode, toca piano. Em nenhum momento se explica exatamente porque ela não vive com o pai de sua filha. Nem se sabe se ela ainda gosta dele ou não. O relacionamento com o personagem de Glen Hansard, que é um músico que toca nas ruas de Dublin e conserta aspiradores de pó, é sutil, e começa despretencioso. Eles se tornam amigos pela paixão em comum pela música, e por nutrir solidões que é a matéria prima de suas canções. Desde o princípio fica óbvio o que vai acontecer no relacionamento dos dois. E o final decepciona os expectadores mais Hollywoodianos.
Os sotaques irlandês de Glen e tcheco de Markéta são muitos bons de ouvir. Então, nada de assitir o filme dublado, pois perde-se muito em substância.
É preciso prestar muita atenção também na tradução das músicas, já que são elas que contam parte da história.
Simone de Lima
Aluna de Com. Social - Jornalismo