Em um dia destes, no caminho para a faculdade deparei-me com uma cena. Um amigo morador do meu bairro, Fernando Cesar. Um jovem, de aproximadamente 16 anos, sentado nos degraus de um edifício, estava fumando uma espécie de cigarro, enrolado em um pedaço de papel. Ele envergonhado ao me encontrar, explicou: "Irmão estou fumando um cigarro de crack". Assustei-me com o que ele falou, por ser jovem de mais e estar em um vicio terrível como este. "O que fez você chegar á tal ponto de fumar uma droga tão pesada?"
-"maninho, eu comecei fumando um cigarro de maconha. No começo era um por dia, seu efeito durava várias horas. Dia a dia fui aumentando a quantidade, 2, 3, 4... até ao ponto desta droga não fazer mais efeito. Uns colegas de rua, já usuários de crack ofereceram para experimentar, falavam que a sensação era inexplicável. De momento não aceitei, mas com o passar das horas, ao aproximar-se a madrugada, fria, resolvi aceitar. As primeiras tragadas foram como se eu viajasse para a lua. Senti-me um astronauta, eu andava e parecia que estava levitando. Minha alma tinha saído do corpo, foi uma sensação de poder. Perdi a noção das horas, e de espaço, tudo parecia ter congelado e só eu estar em movimento. O que senti quando o efeito da droga passou, tive a necessidade de procurar outra dose daquele prazer. Comecei a fumar mais e mais, até chegar a este ponto lamentável que estou hoje.
A droga tirou minha dignidade, esperança de futuro. Agora sei que ofereceram a morte e eu abracei. Hoje minha esperança de futuro... É que alguém consiga me internar em uma clínica de recuperação, que consiga segurar-me, pois já fugi de pelo menos 4... Ou, um dia destes, um traficante se injurie da minha perseguição pelo crack e coloque um fim nesta história".
Prossegui meu caminho, e pensei: o que nossos governantes têm e fazem para acabar com esta situação. Quais seus projetos e investimentos nestas áreas, até que dia precisaremos ver nossos jovens entregar-se nas mãos dos traficantes, e a mercê das drogas.Quantos precisaram perder suas vidas, e quantas famílias mais vão chorar pelos seus entes queridos, até as autoridades resolverem e tomar uma atitude?
Wagner Cordeiro de Campos
1º Período de Com. Social - Jornalismo
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
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