Editorial

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

No ônibus... Histórias do cotidiano

Andar de ônibus é, no mínimo, uma forma de poder construir crônicas divertidas. O ambiente rico em humanidade pode servir de estudos interessantes. Nesses quatro meses de idas e vindas de ônibus vi e ouvi cenas fabulosas, que qualquer roteirista mediano poderia transformar numa mini-novela a partir só da pontinha de fatos que se percebem no coletivo.
Uma das cenas interessantes que retrata bem a relação entre homem e mulher aconteceu esses dias.Coisa comum, como chuva em Curitiba.

A menina no telefone:
- Tia, casei. É, tia, ele foi lá pra casa nesse final de semana. Sim, sim, juntou todas as coisas e foi. Decidiu, né? Até que enfim. Claro, mas acho que agora vai dar certo. Ele disse que estava com medo... É... Mas está lá em casa. Hoje até vou levar umas roupas dele para consertar. Por que a fulana, pelo jeito, não cuidava desses detalhes...Hein? Nem tenho idéia de como ela ficou. Mas, pelo menos ele resolveu essa situação, né? É, preciso fazer um almoço pra você e pro tio irem lá em casa...

O ônibus, lotado, ouvindo, interessado, a conversa mostrava rostos que iam do feliz para o indignado. Uma senhora, pela testa franzida, pelo jeito pensava: “nunca vi como alguém consegue ficar tão feliz com um casamento... Ah, se ela soubesse...”
Um outro senhor dava uma risadinha sarcástica pensando, talvez, no rapaz que acabava de se mudar: “aposto que trocou uma de 50 por essa de 25... Boa troca.”
Um rapaz engravatado fingiu que continuava ouvindo seu mp3... Mas no fundo ele estava é prestando atenção no papo da moça, tentando, com o olhar, dar uma conferida nos atributos da nova casada. Acho que ele pensava: “humm, vale a pena.”
Havia ainda uma senhora indignada. Respirava e fungava, com intenção de fazer barulho, de maneira forte. Devia estar pensando: “que absurdo. Deve ter tomado o marido de outra pessoa”.

A verdade é que nenhum de nós soube ao certo quem era a tal mulher “abandonada”. Podia ser a mãe ou uma ex. Também não soubemos a idade do moço – quem disse que ele era mais velho? Podia ser um rapazote, não? A única certeza que todos tínhamos é que a moça estava realmente feliz com a nova vida. E pronto. Todos seguiram com as suas.

Nivea Bona
Profesora Jornal Impresso - Facinter