Editorial

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Conto: Estrelas Amarelas

Foi como um sonho estranho...Vocês tinham que ter visto!Todo mundo estava lá, caminhando. Até mesmo aquela senhora chata da loja de sapatos da esquina. Até ela andava com a gente. Eu não entendia aquelas caras feias. Juro que não entendia. Nós eramos tantos, o que podia dar errado?E as estrelas! É o que mais me lembro desses dias! Todos nós carregávamos estrelas nos braços, estrelas amarelas. Papai me dizia que aquele era o meu amuleto da sorte. E parecia mesmo ser um dia de muita sorte. Eu estava cansada de tanto andar e papai me pegou no colo. Ficou olhando para os lados, com medo. É, dava pra ver que ele estava com muito medo, mas eu não sabia bem do quê. Na hora eu pensei que era porque eu tinha que ser uma menina corajosa. Tinha outras crianças lá, acho que tão curiosas quanto eu. Eu tinha muitas perguntas, mas papai me mandava ficar em silêncio. Mas, então, por que aqueles homens não paravam de berrar? Eles, os homens sem estrelas. No lugar das estrelas, havia aranhas.Aranhas negras.Eu jamais trocaria uma estrela por uma aranha. Quem faria uma tolice dessas?Não tive muito tempo pra pensar. Chegamos nos trens e eu dei um riso de alegria, porque nunca tinha andado num trem antes. Papai me apertou no peito, como se alguém fosse me roubar. E me roubaram mesmo, apesar de parecer mentira. Fui colocada no mesmo vagão que mamãe. Isso me aborreceu, pois com todo o respeito, mamãe sempre foi uma resmungona das mais chatas. O trem era mágico, só podia ser. Não tinha como caber todas aquelas estrelas num espaço tão pequeno.Mas coube! Juro que coube!E depois de muito tempo, nem sei quanto, nós chegamos num lugar cheio daqueles homens que carregavam aranhas nos ombros. Eu vi papai saindo do vagão e corri até ele, mas um homem me empurrou para o chão e gritou comigo. Eu chorei e ele gritou mais ainda. Mandou que eu fosse tomar um banho junto com os outros. Eu achava que depois disso ele ia me deixar ver papai. Fui para o chuveiro com outras crianças e muita gente velha. Foi estranho quando trancaram a porta.Não havia água! Acredita nisso?Lembro que sumi no meio da fumaça e fui subindo cada vez mais, voando sem direção. Olhei para baixo e vi papai trabalhando. Quanto orgulho eu tinha dele!Vim parar no meio das nuvens, eu e um montão de outras estrelas amarelas. Ainda não sei como, mas aqui estou eu. Continuamos caminhando, mas acho que agora para um lugar melhor. Deve ser. Não vi mais o medo nos olhos de ninguém."Minha estrela". Era assim que papai me chamava. A vida é mesmo muito engraçada.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo