Editorial

O MINHA PUBLICAÇÃO é um veículo que nasceu por iniciativa da turma de jornalismo da Facinter 2008/2. Ele tem como propósito levar a todos os que têm o prazer de escrever e o instinto jornalístico a possibilidade de publicar suas matérias e fotos. Os colaboradores são todos os alunos do curso de Comunicação Social da Facinter: publicidade, propaganda e marketing, produção editorial e jornalismo. Comunicadores podem escrever e solicitar a publicação das suas matérias pelo email: minhapublicacao@yahoo.com.br . Participe!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Conto: Babel

Imagine se fosse possível colocar em uma só mesa todas as pessoas do mundo. Todas, sem exceções. Não apenas embaixadores, diplomatas e chefes de estado, mas também a dona Maricota que trabalha como ajudante de auxiliar de secretária em Goiânia e o tiozinho da pipoca em uma das esquinas de Amsterdã.
Em meio a balburdia de bilhões de vozes e gestos, alguém joga no ar a questão mais importante da utópica reunião:
- O que nós fazemos com o mundo?
Sim, porque não dá mais. Nosso tão lindo planetinha, cada vez menos azul, já não agüenta levar nas costas nós, os humanos.
Nós poluímos como nenhum outro animal seria capaz até de conceber. Matamos por esporte e com crueldade premeditada. Roubamos os sonhos das outras pessoas. Colocamos rédeas e vendas uns nos outros. Somos a única espécie que enjaula as outras espécies – incluindo a nossa mesma.
Claro, este é o lado ruim da coisa. Também sabemos ser lindos, pacíficos, benevolentes. Não apenas sabemos o que é o amor, como escrevemos poemas sobre ele. Entendemos o que é a vida e a morte, apesar de não sabermos nem o que veio antes e muito menos o que virá depois. Sabemos chorar, de alegria e de tristeza. Perdoar? É complicado, mas também somos capazes de fazer. Pensamos em Deus. Damos nomes às estrelas. Damos nomes a coisas que desconhecemos. Sonhamos, a maior parte do tempo com os olhos abertos.
Ainda assim, a pergunta incomoda:
- O que nós fazemos com o mundo?
Talvez seja a única pergunta capaz de silenciar uma reunião de tal magnitude. Bilhões de vozes se calam, porque simplesmente ninguém sabe o que dizer.
Respostas, há muitas. Envolvem conceitos, preconceitos, ideologias, cultura... Seria arrogância presumir que a verdade tem uma única face.
Mas basta de filosofar. Já que ninguém abriu a boca para falar, resolveram abrir a boca para comer. Comida não faltou nessa reunião, visto o alto número de celebridades presentes. Num dos pontos da mesa, um garoto da Etiópia olha fascinado para uma travessa com lagostas. Ele simplesmente não entende o que está vendo. Sorri meio assustado.
- O que nós fazemos com o mundo?
O alvoroço ganha a mesa novamente, vira uma Torre de Babel, cada qual com seu idioma e gíria querendo tecer a melhor opinião sobre o que fazer para tratar melhor este mundo.
É inútil. É simplesmente inútil. Depois de horas arrastadas sem ninguém chegar a lugar algum, alguém dá um murro na mesa e explode:
- A conta, por favor!
Alguns descarados ficaram para o cafezinho. O garoto da Etiópia ainda não havia conseguido tocar nas lagostas, tamanho era o seu fascínio por elas.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo