Editorial

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terça-feira, 31 de março de 2009

Conto: O furo

Álvaro era foca, louco por um furo.
Não pensem que me refiro a espetar uma pobre foca com um alfinete. “Foca” é um repórter iniciante. “O furo” é uma grande e inédita notícia, fresquinha.
Álvaro estava maluquinho por uma coisa grandiosa, um furo do tamanho de uma cratera. Uma exclusiva com o ET de Varginha. Achar Jimmy Hoffa – e vivo, ainda por cima. Cobrir uma ilha com mutantes. Elvis refugiado num asilo. Carla Perez discutindo física quântica. Algo inacreditável.
Conseguiu quando menos esperava. O inexperiente Álvaro havia decidido passar o fim de semana no campo, longe da cidade, espairecer um pouco a cabeça.
Quando estava passeando por uma colina, Álvaro se deparou com ninguém menos do que Deus.
É, Deus. Você ouviu. Deus se assustou:
- O que você está fazendo aqui, na minha colina secreta?
Álvaro estava boquiaberto. Então Deus era assim? Se amaldiçoou por não estar com sua máquina fotográfica.
- E-eu – gaguejou Álvaro. - ...Estou atrás de uma grande...
- Reportagem. Eu sei. Eu sei de tudo.
Num ímpeto de extrema audácia, Álvaro soltou a pérola:
- Posso te entrevistar?
Entrevistar Deus. Era só o que faltava. Mas entendam, Álvaro era um pobre foca e ninguém teria feito diferente.
Deus franziu a sobrancelha e perguntou:
- Em off?
Álvaro não conseguiu mentir para Deus. Nem poderia. Confessou que sua intenção era ficar famoso com a entrevista. Uma exclusiva com Deus não era pra qualquer um.
Cativado pela sinceridade de Álvaro, Deus concedeu a entrevista. Conversaram sobre o sentido (ou falta de) da vida, Deus revelou seu time de futebol preferido, o que realmente pensava das religiões e onde estava com a cabeça quando criou os portugueses.
- Não se pode acertar todas. – disse Deus humildemente, dando de ombros.
Terminada a entrevista, Deus voltou para seus afazeres e Álvaro dirigiu como um louco em direção a cidade. Tinha tudo gravado numa fita de áudio, a própria voz de Deus, que aliás, lembrava um pouco a do Lombardi.
Mas quando Álvaro foi testar a fita, ela enrolou todinha e ficou irreparável.
Desesperado e duvidando da própria sanidade, Álvaro decidiu escrever a matéria mesmo assim. Tinha ótima memória e relatou a entrevista que tivera com o Todo Poderoso.
Virou motivo de piada. Foi despedido. Perdeu o respeito de todos. Teve que ser internado num hospício. Passava horas por dia berrando:
- É verdade! É verdade!
Um dos poucos amigos que não o abandonaram foi lhe visitar certo dia. Álvaro, deprimido, falou sem forças:
- A fita estragou. Mas é verdade.
O amigo, mesmo sem acreditar, deu um meio sorriso e disse com simpatia:
- Que furo, hein?
E Álvaro teve que concordar:
- Que furo.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pernambuco: Estado do “Seis ou Sessenta”.

Pernambuco possui cidades de inúmeras belezas naturais e praias maravilhosas de deslumbrar até mesmo o menos sentimental dos indivíduos
Seu carnaval é de alegria contagiante, em que famílias inteiras brincam por dias e noites, mesmo faltando um mês para a terça de carnaval.
O povo é hospitaleiro, lhe tratam com respeito, mesmo porque você representa o sustento de muitos trabalhadores.
Palafitas sobre as margens dos rios, subúrbios formados por barracos de uma extensão tão grande, que chegam a se perder na vista são cenários comuns no estado. Rios de grandes proporções, nos quais o lixo se acumula nas margens ou até mesmo chega a cobrir toda a sua extensão.
O sistema de coleta do lixo é totalmente precário. Os dejetos são depositados em qualquer lugar. Terrenos vazios servem, como verdadeiros lixões. Nas praias, você anda quilômetros para encontrar uma lixeira. Quando encontra, não há separação de lixo orgânico e reciclável. Aliásreciclagem, a maioria das pessoas não conhecem.
Harisson Esmaniotto
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 29 de março de 2009

Conto: Sexta-feira 13

Gatos pretos, tremei!
Escondam-se, ó doces criaturinhas, pois é sexta feira, 13, e vocês, decididamente, trazem má sorte. Pelo menos é nisso que os babacas acreditam.
Mas, cada um com seus problemas. O meu, no momento, é fazer um texto verdadeiramente horripilante para que as pessoas leiam nesta sexta macabra e congelem os ossos.
“Huahuahuahua!”.
Comecemos: seu nome era Carry, uma garota muito estranha. Às vezes, de madrugada, um espírito encapetado fazia download nela e só era expulso com reza braba! É de se ver!
Mas Carry tinha um irmão caçula, o Fredy, e se é que é possível, era mais problemático ainda: ele tinha uma maldição, uma maldição tremenda! Era azarado que só vendo.
Um dia, Carry e Fredy estavam andando pelo bosque e se perderam na hora de voltar pra casa. Então ficou escuro. Sim, meus irmãos, escuro como o Pelé treinando embaixadinhas com uma bola de boliche num depósito de carvão à meia-noite!
Desesperadas, as duas crianças tentaram, a todo custo, encontrar o caminho de volta pra casa.
- Estamos ferrados e mal pagos, Carry!
- Por que diz isso?
- Já viu o título deste conto?
Sim, era sexta feira treze. Perto da meia-noite. Corujas davam rasantes pelas cabeçorras amedrontadas e piolhentas de Carry e Fredy... Então, eles escutaram uma risada:
- Quack!
Ah sim, me desculpem. Primeiro eles escutaram um pato. Depois sim, as risadas:
“Huahuahuahuahuahuahua!”.
- Ouviu isso, Fredy?
- Claro que não. Esqueceu que eu sou surdo?
- E eu muda. Estranho. Muito estranho.
Toda a noite era estranha. O céu revelava uma congelante lua cheia, e ao olhar para ela, Carry e Fredy ouviram um uivo agonizante:
- Auuuuuuuuuuuuuuuuu! Au!
Era Frank Aguiar fazendo campanha política.
- Maldição, Carry!
- Calma, Fredy! Vai ficar tudo bem!
- Não tem chance de acabar bem! O cara que está escrevendo este conto é doente da cabeça!
E de fato, quando as crianças voltaram a olhar para a lua, viram um vulto misterioso. Parecia um...parecia um padre segurando balões, mas isso não fazia o menor sentido!
Carry e Fredy correram desesperados, tropeçando em pedras, galhos e perfumes da Natura. No desespero, Fredy berrou estupidamente:
- Eu daria a minha vida pra sobreviver!
De repente, algo chamou a atenção de Carry:
- Veja, Fredy! Estou vendo uma luz lá na frente!
- Eba!
Tragicamente, as duas patéticas crianças correram velozes em direção a um trem, minutos antes de o dia amanhecer.
E aqui termina mais um trágico conto de sexta feira treze... espero que vocês tenham aprendido que...que...bom, acho que não há muito o que aprender. Sinto muito.
- Auuuuu! Au!
Cala a boca, Frank. Agora não.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sábado, 28 de março de 2009

Conto: O Peixinho

Um peixinho lembra apenas dos últimos segundos da vida dele.
Sendo assim, quando um peixe está nadando, ele sente como se tivesse passado a vida inteira nadando.
Quando está cansado, não consegue se lembrar nenhum momento de sua vida em que não esteve cansado.
Quando sente fome, sua fome é imensa, pois é como se nunca tivesse se alimentado.
Quanto a nós, lembramos de tudo. Fragmentos da infância. Rostos. Vozes. Cheiros.
Por isso sentimos saudades. Por isso amamos. Por isso é difícil perdoar. Até que chegue a nossa hora, estaremos lembrando.
Às vezes nos parecemos com os peixes.
Depende de como nós somos.
Porque, quando um pequeno peixe está morrendo...pobre peixinho! Para ele, é como se tivesse passado a vida inteira...morrendo.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 27 de março de 2009

Artigo: A confinaça

Falar sobre confiança é discutir uma grande incógnita em todos os relacionamentos.
Hoje em dia as pessoas afirmam confiar plenamente em seus parceiros. Geralmente essas afirmações vêem em frases, como por exemplo: “Eu confio no meu taco”, “Coloco minha mão no fogo”. De acordo com o Dicionário Aurélio, confiar é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não é verdadeiro”. Mas será que na vida real, é tão fácil assim?
O amor de hoje em dia tão questionado e discutido, na maioria das vezes é só mais uma atração para jovens, adolescentes.
No geral, ninguém espera que a primeira “ficada” da sua vida seja a última de todas, chegando ao casamento, e “até que a morte nos separe”.
Quando ficamos apaixonados, com todos os benefícios e maldades, por mais que inconsciente seja, temos a certeza de que a pessoa que amamos é realmente nossa. E SÓ NOSSA!!! Mas com a Internet e as facilidades que ela traz, a traição se torna rápida e invisível. Hoje é possível conversar em sites de relacionamento, bate-papos, Messenger, marcar encontros e nunca mais ver a pessoa, só para satisfazer um desejo, coisa de momento e rápido. Bem diferente do amor verdadeiro, que como esperamos, deve durar para sempre.
Mas até onde a desconfiança pelo outro vale a pena? Se andar muito preocupado com isso, antes de qualquer coisa, sente e converse. Em qualquer relação devemos ter pleno conhecimento da vida do outro e liberdade de conversar de igual para igual. Ninguém é melhor que ninguém em um namoro, em um noivado e, até mesmo, em um casamento. Os dois estão ali, no mesmo barco, juntos, lutando em busca de um mesmo ideal. Agora, se você não tem liberdade suficiente para conversar e deixar bem claro o que pensa, é melhor rever em que pé está essa relação. Isso leva um bom tempo para nascer e desenvolver, mas se de um lado não há movimentação, então tome à frente você e comece a deixar espaço para que o outro indague, deixando bem claro o que realmente quer. Mostre, sem vergonha e sem medo, que você está ali somente com um propósito: amar e ser amado, sem ninguém no meio. Assim o outro lhe mostrará o que realmente quer.
Alice Carolina Bulotas
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quinta-feira, 26 de março de 2009

Caco Barcelos e os novos Comunicadores

O jornalista Cláudio Barcelos 33 anos de profissão, esteve nesta segunda-feira, dia 23 de março, no auditório Gregor Mendel da Pontifícia Universidade Católica do Paraná para fazer uma palestra para 300 estudantes da área de comunicação.
Em uma conversa descontraída contou histórias da sua trajetória, dificuldades e curiosidades da sua profissão.
Sua primeira reportagem assinada como Caco Barcelos, aconteceu quando o jornalista vestiu-se na pele de um taxista e foi às ruas de São Paulo para averiguar como seria a vida destes trabalhadores.
Explicou que um repórter tende a contar melhor uma história quando está envolvido nela. E surpreendeu quando disse que um repórter, para falar diretamente em rede nacional, leva de sete a dez anos, em média.
Por isso desenvolveu o projeto Profissão Repórter, cuja proposta era trabalhar com repórteres iniciantes, sem experiência e que pudessem acelerar o processo dentro da profissão. Ou seja, não precisariam passar de sete a dez anos para atingirem a massa. Sofreu resistências dos colegas jornalistas que não admitiram que jornalistas iniciantes fossem poupados do processo comum dentro da redação.
No processo de seleção, no qual 24 mil jornalistas concorreram a 30 vagas, inicialmente foram selecionados 150 para uma peneira de 30 escolhidos. Estes profissionais ficam responsáveis por quatro funções que, na maioria das vezes, são realizadas por quatro grupos de 5 profissionais. São elas: pesquisa, produção, edição e finalização.
Quanto ao perfil do jornalista de sucesso, Caco descatacou algumas característica fundamentais: o jornalista tem de ser alguém inquieto, inconformado mesmo quando tudo parece estar bem, há que buscar e cobrar mudanças.
Segundo Caco, um profissional que quer falar a verdade não pode basear-se somente em entrevistas, isso é pouco. Entrevista é “lixo ou apenas pauta”. Entrevista é, sim, importante mas a investigação é fundamental já que lidamos com a honra de terceiros e não podemos fazê-lo sem provas. Ele aconselha:nunca faça reportagens usando declarações sem a certeza de que são verdadeiras.
O jornalista ainda falou sobre o preconceito de classe. É ele quem determina a qualidade do trabalho, se é bom ou ruim. E para finalizar deu o exemplo de uma jornalista:
Caco saiu a campo para conhecer a vida dos usuários de craque. Conheceu um grupo de usuários e, entre eles, uma moça chamada Esmeralda. Magra e judiada pelas ruas de São Paulo, Esmeralda costumava dormir nos quentinhos da cidade, bueiros que soltam vapores quentes. Ela contou que costumava a ser acordada aos pontapés pelos policiais e se considerava uma pessoa de sorte por não terem estragado todos os dentes com os chutes. Quinzeanos depois ele volta as ruas para conferir a veracidade de que os usuários de craque não conseguem abandonar o vício. Uma vez viciados, morrem assim. A única pessoa do grupo de 15 anos atrás que ele encontrou era Esmeralda. Mais gordinha, ela contou que passou 10 anos presa e na cadeia começara a estudar, agora era jornalista formada.
Esmeralda tinha o sonho de entrevistar Mano Brown, o vocalista do grupo Racionais. Mas Mano Brown era avesso a entrevistas e relutou para conceder a entrevista. Ela insistente, perseguiu-o durante 15 dias tentando conseguir a entrevista. Em uma noite de show o grupo conseguiu reunir três milhões de pessoas no centro de São Paulo. Neste show, a polícia avançou sobre a multidão e formou-se uma guerra no centro de São Paulo. Vários tiros de borracha, bomba de gás e pessoas machucadas.
No dia seguinte, na redação da Rede Globo a diretoria estava furiosa, pois uma guerra havia acontecido na madrugada e ninguém estava lá para registrar. Foi quando Caco informou a diretoria que Esmeralda estava lá. Então a diretoria questionou o porquê de não terem chamado alguém mais experiente para cobrir episódio. Foi quando Caco, pedindo licença a Esmeralda, tomou posse de uma sacola de fitas que ela tinha nas mãos e despejou-as todas sobre a mesa da diretoria dizendo o seguinte:
“Esta que vocês costumam a chamar de craqueira inexperiente passou a noite toda no centro de São Paulo fazendo a cobertura de tudo, registrou tudo em imagens que estão aqui, enquanto os bons profissionais, os experientes estavam dormindo.”
As imagens que Esmeralda fez foram as únicas imagens registradas do acontecido. A emissora vendeu as imagens para as concorrentes e também para redes internacionais.
Vanuza da Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nação Zumbi se apresenta no John Bull em Curitiba

A banda “Nação Zumbi” chega a Curitiba direto de Recife e se apresenta, dia 27, no John Bull Music Hall com o show “A fome tem uma saúde ferro”.
A banda foi montada em 1990 tendo à sua frente o líder Chico Science que iniciou, na época, junto com Fred Zero Quatro, o movimento Manguebeat, dentro do movimento o manifesto “Caranguejos Pensantes”.
O movimento trabalha com letras de forte cunho crítico em referênciaaos problemas sociais e ritmos que misturam influências do pós-punk, rock, maracatu e samba.
Mesmo com o falecimento de Science, a banda continuou nos palcos e é hoje respeitada no cenário do rock brasileiro completando 19 anos de carreira.
Mariana Priscila de Lima e Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo

terça-feira, 24 de março de 2009

Artigo: Miopia

A miopia, muito mais que um defeito ocular é um jeito diferente de ver o mundo, quase uma benção.
Pense bem, quem é míope de fato vai me entender: nós (míopes) não vemos muito bem o que está longe, no meu caso em uns dois ou três metros já está tudo embaçado. Para estudar, principalmente pra copiar as coisas do quadro negro (que é verde), é um caos! Ver TV do sofá então, nem pensar!
Mas, em compensação, somos privilegiados com a dádiva de não julgar ninguém antes de ter certeza. Ninguém é feio, são todos quase iguais. As cores são mais intensas, e as luzes então? Ah, simplesmente encantadoras! É como se elas fossem mais fortes, como se iluminassem mais! Elas envolvem e fazem a imaginação fluir e viajar longe.
Talvez pelo defeitinho nos olhos agucemos os outros sentidos, por isso os shows que “vemos” são muito mais “SHOW”, as músicas preenchem a alma, não são só barulho! E isso, unido às luzes e à animação das pessoas, é mágico.
E esse negócio de não ver direito o que está longe também funciona para a vida: não a levamos tão a sério, não nos preocupamos com o que está longe, o futuro. Vivemos o agora, o que está próximo.
Por essas e outras que ser míope não é tão ruim. Chega até a ser bom! E às vezes é muito bom não enxergar certas coisas. A não ser naquela situação desagradável em que sua amiga diz: “amiga, olha aquele gatinho te olhando!”.
Isabelle Hundsdorfer
Estudante de com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 23 de março de 2009

Saint Patrick's Day: Um feriado que ganhou o mundo

Na Irlanda, 17 de março é feriado nacional. O St. Patrick's Day, ou dia de São Patrício, padroeiro do país, celebrado desde o século 18, deixou há muito de ser somente feriado religioso e acabou sendo importado por vários países.
Neste dia, há desfiles pelas ruas das grandes cidades irlandesas e as pessoas vestem-se de verde e pintam trevos no rosto.
Reza a lenda que, apesar de ter nascido na Grã-Bretanha, São Patrício foi vendido como escravo para a Irlanda, quando tinha apenas 16 anos. Voltou para casa seis anos depois, após ter conseguido fugir de seu cativeiro. Desde então, dedicou-se à vida religiosa e acabou retornando à Irlanda para pregar o Evangelho. Utilizava o trevo de três folhas para explicar como a Santíssima Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo) era três e um ao mesmo tempo.
É por isso que o trevo de três folhas sempre acompanha a identidade de St. Patrick e é usado pelos irlandeses como adorno nas comemorações. Já a adoção da cor verde como símbolo é associada ao dia de St. Patrick porque é a cor da Primavera, da Irlanda (considerada a Ilha Verde) e do próprio trevo.
Hoje este é um dos eventos culturais mais famosos do planeta, com direito a enormes desfiles nos Estados Unidos e Canadá e há programações especiais em todos os pubs irlandeses no Brasil.
Em Curitiba, a festa se concentrou no Sheridan's Irish Pub, que trouxe a comemoração à capital paranaense pela 5ª vez. A festa ocorreu entre os dias 13 e 17 de março e contou com comidas e bebidas típicas irlandesas, como o chope verde, além de decoração especial e shows de sete bandas ao vivo.
Suelen Maia
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 22 de março de 2009

Conto: Gangorra

- Hã?
- Sim.
- Como assim?
- Sim, ué. Você me perguntou, eu respondi. Sim.
- Aceita namorar comigo?
- Sim.
- Eu não entendo...
- O que tem pra entender, criatura?
- Até hoje eu só levei fora
- Vai ver eram as pessoas erradas.
- Ou eu estava errado.
- Que importa? Eu aceito.
- Estou chocado!
- Está arrependido?
- Claro que não!
- Então...
- É que eu não sei o que fazer.
- Como assim?
- O que eu faço com você?
- Você namora comigo.
- E como funciona?
- Nunca namorou antes?
- Não, já disse.
- Aviso desde já que morro de ciúmes.
- Ciúmes do quê?
- Das outras mulheres.
- Mas das outras eu só levo fora.
- Você podia pelo menos sorrir.
- Estou um pouco tenso.
- Relaxa...
- Não sei lidar com o imprevisível.
- Relaxa...
- Acordei hoje pensando: vou me declarar pra Tati.
- Sei.
- Assim seria o meu dia: eu me declaro, levo um fora e saio pra tomar um porre.
- Seria triste.
- Seria como sempre foi. E agora você me diz sim.
- Exato.
- E eu não sei o que fazer!
- Me leva pra jantar.
- Ta cheio de parente lá em casa me esperando...
- Mas você também, hein? Mulher gosta de cara confiante, sabia?
- Então por que você gosta de mim?
- Eu não gosto de você.
- Não?
- Sou apaixonada por você.
- Como se apaixonou por mim?
- Já namorei um tipo igual a você, eu curto uma repetição.Além do mais, você sempre me fez rir.
- O Gordo e o Magro me fazem rir e eu não estou apaixonado por eles.
- Você é muito confuso.
- Me acostumei tanto a levar fora que me condicionei a isso.
- Achava apenas que você era um cara tímido...mas estou vendo que você tem problemas.
- Não, não é pra tanto. Você tem razão, é só insegurança...
- É uma pena.
- Vamos jantar?
- Eu perdi...
- A fome?
- A vontade. A gente se vê por aí...
- Não, espere! O que você vai fazer amanhã?
- To no começo de gripe...
- Eu ligo pra você!
- Acho melhor não...
- Espera Tati! Você já disse sim, não pode voltar atrás na decisão!
- Não, não se pode voltar no tempo. O resto pode.
- Eu te amo!
- Não faça isso.
- O quê?
- Papel de bobo.
- Sou um bobo apaixonado!
- Fez de novo...
- Volta comigo, Tati!
- Mas ainda nem namoramos!
- “Ainda”?
- Tire este sorriso do rosto. Não dá mais.
- Por que não?
- Eu fui precipitada na resposta
- E eu fui precipitado na pergunta! Somos perfeitos um pro outro!
- Quer levantar? Um homem de joelhos, no meio da rua...
- Quer namorar comigo?
- Você já perguntou isso.
- Você disse que curte uma repetição.
- Você ouviu o que eu disse?
- Por que não ouviria?
- A maioria dos caras não ouve.
- Bem, eu não sou a maioria.
- É, você é diferente. Quer mesmo ter um relacionamento sério?
- Mais sério que encontro de papas.
- Mas papa só tem um.
- Pra você ver como a coisa é séria.
- Pois eu vou voltar atrás.
- No quê?
- Na decisão.
- Então quer dizer...
- Sim.
- Sim de novo?
- Sim.
- Que coisa.
- E você ainda não está sorrindo.
- Me veio o pânico de novo.
- Mas você precisa trabalhar isso em você!
- Por que está nervosa?
- Ainda nem nos beijamos e já tivemos nossa primeira briga!
- É verdade...
- Aliás, por que ainda não nos beijamos?
- Não sou um destes caras.
- “Caras”?
- Caras que já chegam agarrando.
- Mas eu sou a sua namorada!
- Até um minuto atrás não era.
- Bem, então me beije agora.
- Aqui?
- Qual o problema?
- Eu estava pensando num lugar mais romântico.
- Aonde?
- Algum parque, algo assim.
- A esta hora é perigoso.
- Amanhã de manhã, então?
- Combinado. Você me pega?
- Eu não tenho carro.
- Ah...
- O que foi isso?
- Isso o quê?
- A cara de decepção que você fez.
- Fiz cara nenhuma.
- Eu vi!
- Pois troque os óculos.
- Aposto que seu último namorado tinha carro.
- Tinha sim. E daí?
- E daí que você não me quer.
- Chega! Você é muito inseguro!
- Um inseguro sem carro.
- O carro não tem nada a ver.
- Aposto que seu ex-namorado...
- Meu ex-namorado era um homem muito seguro.
- E o carro dele, também tinha seguro?
- Você ta me ofendendo...
- Desculpa, Tati...
- Estou indo...
- Não, fica! Eu te beijo agora!
- Me larga.
- O que foi?
- Você parece um destes caras.
- “Caras”?
- Caras que já chegam agarrando.
- Mas você é minha namorada!
- Não sou mais.
- Quando foi que terminamos?
- Quando foi que começamos?
- Quer saber? Precisamos de um tempo!
- Também acho.
- Depois quem sabe nós voltamos.
- No tempo?
- Não, nós dois?
- Entendo.
- Já estou com saudades.
- É possível sentir saudades de algo que ainda não se viveu?
- Te juro que é.
E foram tratar de suas vidas.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sábado, 21 de março de 2009

Cerca de 4 mil pessoas assistem Rafinha Bastos

Aconteceu no último domingo, dia 15 de março, no Estação Convention Center o Stand up Comedy de Rafinha Bastos (do programa CQC). Rafinha veio a Curitiba para mostrar seu novo show " A Arte do insulto". A apresentação estava programada apenas para receber 2 mil pessoas, mas a procura foi maior obrigando o assessor do comediante, Ítalo Gusso programar mais um show. Rafinha conseguiu segurar sozinho um público de 4 mil pessoas com duas apresentações de aproximadamente 1h 30 cada. Compareceram espectadores de diversas cidades próximas a Curitiba. Um desses casos foi o da estudante de Publicidade, Thais Moraes que veio de Campo Mourão, a 460 km de Curitiba.
Letícia Lemos
estudante de Com. Social - Jornalismo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Artigo: Excluidos versus Excmungados

Num país onde excomungam pessoas por atos considerados pecaminosos, à vista da igreja, é claro, temos também os excluídos – às vistas sociais, políticas e humanas. O personagem em questão é conhecido por Adriano. Sobrenome? Não se sabe. Creio quem nem ele lembre. Para quê sobrenome se ele vive em um mundo que se importa tão pouco com pessoas como ele? Que diferença faz? Apesar disso, segue sua vida atribulada pelas preocupações que são só suas: onde passar a noite, para onde ir, o que comer e que trabalho realizar. O amontoado de quinquilharias em seu carrinho se confunde com seu amontoado de decepções: ele não tem família nem amigos. Não tem perspectivas e sequer sabe o que faz. A venda do papel coletado rende-lhe alguns míseros trocados; muitas vezes não lhe bastam sequer para adquirir um desjejum ou almoço decente. Expulso do centro da cidade, segundo relato seu, foi obrigado a viver às margens daquele local e refugiar-se nos bairros – atualmente o local em questão é a Vila Hauer. Esse é o seu mundo, seu território geográfico limitado a andanças pela vizinhança atrás de algo para vender, ou melhor, algo que possa se transformar em alimento. Os pernoites acontecem dentro de seu carrinho para coleta de material reciclável. Aliás, dorme e consequentemente zela pelo que consegue juntar num dia de trabalho. Não tem outra opção. Os planos governamentais e assistenciais não o alcançam. Para a sociedade ele não existe. É uma figura conhecida - às vezes temida - apenas como “catador de papel”. Apesar disso, ele tem sua história. Triste, se conclui, mas é sua história.
Ezequiel Quister
Estudante de Com. Social - Jornalismo

terça-feira, 17 de março de 2009

Poema: Alma Roxa

Garota de alma roxa
Que anda pela noite
Boemia já cansou!
Mas não está satisfeita
Agora busca a teoria da Terra do Nunca
Já ficou sem dormir
Chorou, esqueceu, sumiu
Agora sobrevive com o único remédio
Livros
Está em tratamento
Precisa treinar
Precisa controlar o peso
Falar corretamente, tirar boas notas e saber mexer na câmera.
Porém
Não tem medo
Ela tem a alma roxa.
Mariana Priscila de Lima e Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Contos: Dor

Ela acordou... Na verdade ela não dormiu, já não dormia há muitas noites, não conseguia esquecer seu cheiro, algo que ela não teria mais. Levantou-se. Na cozinha preparou uma caneca de café e sentou-se para beber. Também não pôde, o gosto do café só a fazia lembrar-se ainda mais do gosto dele. Ela sabia que nunca mais o teria.
Saiu no meio da noite, em busca de um pouco de ar, pois não estava conseguindo respirar dentro de casa. Caminhando pela areia, ao som do mar e somente com a lua como companhia, ela chorou. Sentou-se próxima da água e tentou lembrar como era a felicidade, mas a ferida em seu peito não permitia que ela tivesse boas lembranças.
Deitou-se ali, na praia, na esperança que a dor fosse embora. Então lembrou daquilo que sempre lhe foi dito: “O tempo cura tudo”. Mas quanto tempo ainda teria que conviver com essa dor, com esse vazio? E novamente ela chorou.
Amanheceu e ela ainda estava ali. Por dias permaneceu ali, sem dormir, sem comer, sem pensar, apenas esperando por uma resposta que ela sabia que não teria. Enquanto a dor aumentava em seu peito, lembrava-se de tudo que tinha acontecido e não entendia, não podia entender o que tinha feito de errado.
Então percebeu que o tempo jamais a iria curar, que a dor nunca iria passar. Juntou o pouco de forças que ainda lhe restava e conseguiu levantar-se, então naquela noite, junto ao mar, sua dor passou e por alguns segundos ela lembrou-se de como era a felicidade.
Patricia Rueda Strogenski
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 11 de março de 2009

Artigo: Prostituição em destaque

Quem ainda não se deparou com as propagandas da prostituição afixadas nos telefones públicos da cidade? Pelo menos para aqueles que se utilizam deste serviço, fatalmente haverá o contato com a “publicidade do sexo”. A imagem é um veículo indispensável na sociedade atual e, como tal, também é fonte de informação, assim, o mercado do sexo local aposta alto no “business” da imagem para atrair consumidores, na maioria homens, para o produto sexual. Apesar do foco ser em um nicho de clientela específica, bem como da restrita área de atuação, o que se percebe nessas propagandas são técnicas, até certo ponto arrojadas, buscando em pequenas imagens delinear a qualidade dos serviços prestados, do produto e logicamente, o sigilo na utilização que é sua característica primordial. Para aqueles que não estão familiarizados ainda com a propaganda explícita restritas aos “orelhões”, cabe a insatisfação de se utilizar do aparelho eventualmente sem deixar de notar as protuberantes partes femininas colocadas em destaque.
A obscenidade é, sem dúvida, a parte mais constrangedora dessa propaganda. A necessidade, muitas vezes, impede a pessoa de escolher qual aparelho utilizar, se é que isso é possível principalmente no centro da cidade. É raro quem não comente e desaprove tal medida imposta pelos exploradores sexuais ou gigolôs ou cafetões que, por trás deste comércio, desprezam valores, limites e necessidade de manutenção dos bons costumes. Da ilegalidade de tais propagandas não é preciso falar, pois é notório que elas abusam da liberdade de expressão e apontam para a perversão e libidinagem. Num país em que cotidianamente se vê e se ouve nos veículos de comunicação casos de pedofilia e abusos sexuais das mais diversas formas, como por exemplo, a história da menina de Recife-Pr, de nove anos, que teve a gravidez – fruto de um estupro - interrompida por autorização judicial, a limitação e a exposição deste tipo de propaganda deveriam ser alvos de mais atenção por parte das autoridades. É inegável que a banalização da sexualidade é também um combustível que move as desordens comportamentais e estimula, até certo ponto, abusos dos mais variados. Enfim, quando precisar utilizar um telefone público tente se manter alheio ao bombardeio desse tipo de propaganda.
Ezequiel Schukes Quister
Estudante de Com. Social - Jornalismo
Foto: Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 4 de março de 2009

Artigo:

Ingredientes para formar um bom fotógrafo
Num domingo de tempo nublado quatro amigos reuniram-se para fotografar no Mercado Municipal de Curitiba: Hamilton Junior (segundo período de Jornalismo), Jhonny Isaac (terceiro período de Produção Editorial), Waléria Pereira (quarto período de Jornalismo) e Daniel Oikawa (professor de fotografia)

O grande fato é que ninguém nasce sabendo. Como diz o ditado popular, todo mundo nasce banguela, careca e pelado. Até o J.R. Duran.
É vendo e revendo as muitas técnicas que chegamos mais perto de uma imagem perfeita. Os segredos que se escondem por trás dos inúmeros controles de uma câmera podem ser resumidos em dois ingredientes principais: conhecimento e prática. O conhecimento técnico, além de ser um tema mais difícil do que a composição visual ou a criação, ainda deve ser posto em prática. As informações que o sono acaba encobrindo no passar dos slides de aula nos espantam na hora do click, e fazem a diferença na imagem final.
Entre muitas caracteristicas presentes em um bom fotógrafo, podemos destacar também a força de vontade de sair da cama às 8 horas da manhã de um domingo nublado para fotografar o Mercado Municipal. Como estávamos entre amigos, as 3 horas de trabalho, além de render boas imagens, passaram em um clima de descontração, com piadas, risadas e compras. Esta é, sem dúvida, a melhor maneira de se reunir todos os ingredientes da formação de um bom profissional.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo