Editorial

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Conto: Sinto saudades de conversar com Deus

Sinto saudades de conversar com Deus.
Como sentir saudades de algo que não se pode ver e nem ouvir?
Não é difícil.
A maior parte de nós ouve falar pela primeira vez de Deus durante a infância. É quando ouvimos falar em “papai do céu”.
Então, na hora de dormir, fechamos os olhos e agradecemos, às vezes pedimos. Tudo com a ingenuidade das crianças, algo que sem saber, iremos perder pelo caminho.
Então crescemos, e o nome “Deus” se torna algo mais forte, mais profundo, mais inexplicável. Você passa a questionar muitas coisas, mas logo entende que a fé se trata justamente de você acreditar em algo que não se pode provar, mas mesmo assim você crê.
Sem ver. Sem ouvir.
Não importa.
Deus está lá.
A maioria das pessoas busca Deus através da religião, o que é compreensível. Vivemos sem saber por que estamos aqui, como tudo começou ou vai acabar.
Ainda não entendemos a morte.
Isso assusta.
No meio da imensa ignorância dos homens, ajuda saber que existe uma verdade maior por trás de tudo isso, alguém que se importa com nossos sonhos e nos dá força para enfrentar os medos.
Eu tentei algumas vezes, mas nunca esbarrei com Deus dentro de algum templo ou igreja. Acho que é diferente para cada um de nós.
Nunca enxerguei Deus dentro de livros escritos pelos homens, pois homens, por melhores que sejam, são sujeitos a falhas como qualquer ser humano.
A bondade de poucos acaba sendo deturpada por muitos e Deus se transforma em algo, acredito eu, muito diferente do que realmente significa.
Deus não está em dinheiro, esmolas, falsas doações e sacrifícios. Ele está em cada gesto verdadeiro de amor e em coisas que vão muito além da nossa compreensão.
Ele sempre será um mistério.
Minha fé nada tem de inabalável. É difícil você falar sobre fé num mundo onde todos o condenam se você discorda dos dogmas criados pelos homens que usam o nome de Deus em benefício próprio.
Quem são os homens para se dizerem criaturas soberanas?
Não respeito os dogmas.
Respeito a fé sincera dos humildes.
Respeito a pureza das crianças.
Respeito o perdão, o arrependimento e a sinceridade dos pecados.
Respeito a forma humana de Cristo, o que o torna mais lindo ainda.
Respeito aqueles que se importam com o próximo e não vieram ao mundo apenas a passeio, sejam eles religiosos ou ateus.
Claro, pode ser que eu esteja errado. Mas tudo bem, errar é o que nós homens mais sabemos fazer.
Faz muito tempo que não converso com Deus, como se ele fosse um daqueles amigos que vamos deixando de telefonar para dar notícias, mas sabemos que ele está lá.
Já não fecho os olhos antes de dormir rezando para um “papai do céu”...mas as vezes, de noite, quando me sinto mais sozinho olhando para as estrelas, quase sempre penso nele.
Penso sobre sonhos, medos, pessoas e o que vai ser da minha vida no dia seguinte.
Eu sei que existo, mas será que o mundo precisa de mim?
Penso em tudo isso, mas também penso muito em Deus.
E sinto muita falta das nossas conversas.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo