Editorial

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domingo, 24 de maio de 2009

Artigo: Hábitos alimentares não se discutem.

O feriadão estava chegando, resolvi aproveitar para matar saudades da família. Na
Sexta-feira mesmo após sair da faculdade peguei carona com meu irmão que estava pra cá. Depois de 2 horas de viagem em direção a Ponta Grossa estava em casa. Mal cheguei e minha cunhada já veio me chamando pra ir com ela na casa dos avós dela no dia seguinte.
Sábado de manhã, levantamos cedo, pois os avós dela morram em Carambeí, uma cidade a alguns quilômetros de Ponta Grossa. Chegamos lá tudo corria normal. Após responder um questionário sobre minha vida para o seu “Opa” como minha cunhada chama seu avô, a “Omã” da minha cunhada, “Omã” é como ela chama sua avó, entra na sala e me pergunta se eu gosto de sopa. Não sou lá muito fã de sopas, mais pra não ficar chato falei que gostava. Achei a pergunta meio estranha, mais continuamos com o interrogatório, que seu avó estava me fazendo, onde estudo, com o que trabalho, se tenho filhos, se pretendo voltar para Ponta Grossa e bla bla bla, quando fomos para a copa almoçar, uma coisa me chamou a atenção. Na mesa os pratos eram fundos e ao lado tinha colher, garfo e faca e uma panela gigante de sopa no centro. Sentamos o “Opa” dela fez a oração, então cada um se serviu, continuei achando tudo meio estranho, pra minha sopa cabia bem no inverno e à noite. Depois que todos terminaram de comer a panela de sopa foi retirada e veio então o almoço arroz, feijão, cenoura, carne, molho de carne, beterraba, tudo separadinho e em pequenas porções. Fiquei aliviada, achando que apartir daí não iria aparecer mais nem uma surpresa. Doce engano! Quando dou uma mordida na cenoura, minha cunhada me fala que esqueceu de me avisar, que a cenoura e a beterraba são doces cozinhadas com açúcar.
Depois da minha cara de estranheza, começou o “se não quer não precisa comer, se não gostou deixa de lado, que não tem problema”. Mas tava muito bom! Diferente do que sou acostumada a comer mas gostoso. Quando achei que estava acabado vem a “Omã” da minha cunhada com um pote de iogurte natural feito em casa de sobre mesa e um açucareiro. Após a sobre mesa mais uma oração e a leitura da bíblia. Uma hora depois estávamos todos bem alimentados, a partir mistura de costumes holandês com brasileiros.
Depois desse feriado posso aumentar mais um item em um velho ditado popular, afinal de contas hábitos alimentares também não se discutem.
Larissa Glass
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Crise abala também pequenas empresas

Foto: Hamilton Junior






Antiga loja de Angélica, agora com portas fechadas
Crise mundial afeta pequenos empreendedores no ramo comercial

Não basta a capacidade, qualificação e a vontade de trabalhar. É preciso saber também aonde “se pisa” no mercado de trabalho. Assim acontece com vários trabalhadores que, mesmo qualificados e dispostos aos desafios de diversas profissões, se deparam com novas dificuldades por causa da crise mundial.
Angélica Moura, 30 anos, é um exemplo de como a crise afetou o ramo de trabalho dela. Ex-proprietária de uma loja de revenda de automóveis semi-novos, acreditava na prosperidade de sua empreitada. “O sonho de ser dona de meu negócio fez com que eu investisse na minha loja, contratei funcionários e me arrisquei em financiamentos para estabilizar meu comércio em pouco tempo.”, comenta a empresária. Com a queda das vendas, Angélica se viu obrigada a baixar as portas do seu antigo comércio temporariamente para não acumular mais dívidas. “É duro, tive que dispensar funcionários, pois já não podia pagar mais os salários e as contas estavam aumentando, até meu carro tive que vender”, afirma ela, que hoje trabalha na área de vendas de telefonia em uma empresa de grande porte. Angélica Moura, agora assalariada, encontrou assim a garantia de pagamento no final do mês. “O renda é abaixo do que pretendia faturar em minha loja, mas pelo menos tenho a garantia do valor que receberei e assim posso planejar minhas contas e quem sabe no futuro reabrir minha loja”.
A busca por emprego estável não é de hoje. Fazer parte do quadro de funcionários de uma empresa de sucesso, é a busca de profissionais dos mais variados setores.
Mas como as empresas de grande porte estão enfrentando a crise? Eloi Mano Dellani, contabilista da empresa de automotores Volvo, explica quais foram as meditas tomadas para enfrentar a crise: “aqui na nossa empresa, tivemos que reduzir a carga horária de trabalho e aplicar feri as para alguns funcionários. A crise abalou nossas vendas, mas, pela força de nossa empresa, esperamos não precisar demitir funcionários pelos próximos meses”, comenta o economista com otimismo.
Segundo o sociólogo e professor universitário do grupo Uninter/PR, Doacir Quadros, a crise mundial de certa forma iria atingir o Brasil. Mesmo as empresas multinacionais estabelecidas no exterior como França, Estados Unidos e Alemanha, as decisões para redução de custos e da linha de produção iria contribuir com índice de desemprego aqui em Curitiba. Basta ter uma de suas filiais, montadoras, prestadoras de serviço etc.
Para driblar o desemprego, uma das saídas ainda sim seria o que é denominado empreendedorismo por necessidade. Ou seja, a pessoa passa a ter renda a partir do seu próprio negócio. Isto tem servido como saída para ex-funcionários de diversos países tanto na Europa quanto na América Latina, afirma Doacir.
Hamilton Junior / Rodrigo Brito
Estudantes de Com. Social - Jornalismo





quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crônica: Batata!

Por alguma razão que desconheço, quando as pessoas dizem ter certeza de algo, usam a expressão “batata!”:
- Certeza que ela vai estar na festa?
- Batata!
Mais um exemplo, este mostrando como o uso desse termo pode vir a causar alguns probleminhas:
- To indo na feira!
- Vai comprar cenoura?
- Batata!
Então a pessoa volta para a casa apenas com as cenouras. Por quê?
- Você disse que ia comprar batata!
- Não foi isso que eu quis dizer!
- Então por que disse?
É assim que uma briga começa. Algumas terminam de forma trágica.
Outra expressão que eu gosto muito:
- Está achando que dinheiro dá em árvore?
Essa é muito usada por judeus, turcos e afins. O sentido é muito claro: você deve dar valor ao dinheiro, pois ele obviamente não dá em árvore.
O “probrema” é que algumas criaturas usam esta frase para quase tudo:
- Está achando que gasolina dá em árvore?
- Está achando que roupa dá em árvore?
Usam essa expressão até mesmo para se referir a alguma mulher que não quis transar no mato com o namorado:
- Está achando que a Mariazinha dá em árvore?
Mas atenção: você corre o risco de se passar por ignorante caso use essas palavras para reclamar com alguém que está desperdiçando muita madeira.
- Está achando que madeira dá em árvore?
Faça isso e vai fazer papel de idiota, companheiro.
Por último, quero deixar aqui três questões para reflexão: como se engana um bobo na casca do ovo? Como é a cor de um burro quando foge? E do que ele está fugindo, meu Deus?
Vou morrer com essas dúvidas. É batata.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sábado, 2 de maio de 2009

Conto: A Revolta dos Porcos

Romildo era um porco. Literalmente. Morava numa fazendo no México e vivia feliz entre outros suínos.
- Atchim!
Começou com um infortunado espirro.
- Se agasalha, Romildo... – pediu sua mãe. Romildo era teimoso. Logo pegou gripe, uma gripe “daquelas”, o que deixou seu dono, ao contrário dos porcos, com a orelha em pé. Romildo era seu melhor porco e, ao contrário dos outros, não iria virar feijoada.
- O destino de Romildo – contou o fazendeiro para os amigos -, é concorrer na feira anual do porco mais pesado.
Era. Romildo foi emagrecendo a olhos vistos. Passou de peso pesado para Marco Maciel. Já não servia nem pra virar um pobre pedaço de bacon.
O fazendeiro não teve outra saída a não ser vender Romildo para um turista americano. O porco virou “pig” e foi morar numa fazenda do Alabama.
Mas a gripe continuava. Por isso, percebeu o americano, Romildo custara tão barato.
- Atchim! Atchim!
Era a noite toda. O fazendeiro, no auge da irritação causada pela insônia, prometeu a si que no dia seguinte mataria Romildo. De forma lenta e dolorosa.
- A...a....a....ATCHÔÔÔÔÔÔÔÔ!
O americano acordou espirrando. Estranho. Não era de ficar doente.
- Atchim!
- Atchô!
Romildo e seu dono faziam um dueto de espirros. O americano estava certo de que seu recém porco havia lhe passado a gripe.
Então, fez o que todo americano costuma fazer. Exagerou:
- É a gripe suína!
Calamidade global. Perigo iminente. Pessoas usando máscaras e evitando a aglomeração dos metrôs. Porcos mexicanos terminantemente proibidos de entrar nos Estados Unidos. Obama esquece a crise e o Iraque e volta sua atenção para os porcos.
- Atchim! – proclama ele.
Calamidade. Especula-se que uma nova “peste negra” (a referência não agradou Obama) é iminente.
Os porcos se reúnem, fazem uma espécie de Concílio de Trento. Leitões de várias nações se reúnem em Genebra e discutem sobre seu futuro. Temem ficarem tão loucos quanto as vacas.
- Temos que fazer alguma coisa! – berra com ênfase um dos porcos.
Os porcos estavam preocupados, com razão. Em muitos lugares do globo, já estavam ordenando a matança dos porcos. Cortar o mal pela raiz, enfim.
- Eu tenho um sonho - poetizou um dos leitões. - ...Que nas colinas da Geórgia, homens e porcos possam se sentar a mesma mesa.
- Temos que fazer alguma coisa pra impedir este "holocausto suíno"! - cortou o discurso um outro leitão. - Temos que...
Subitamente os porcos se calam. Percebem a real situação. Mesmo que revertam esta paranóia global imposta a eles nos últimos dias, nada vai mudar.
Porcos são porcos. Nasceram para morrer em nossas mãos. Porcos não morrem de velhice, porcos vão para a panela. Ponto final.
O dia terminou com Romildo curando sua gripe com uma dose de uísque.
- É tudo uma porcaria. - pensou ele.
O mundo é dos humanos.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 26 de abril de 2009

Conto: Defuntinha

Às vezes, coisas para lá de estranhas acontecem na vida das pessoas. Quando a mãe de Marquinhos avisou que estava grávida de uma menina, ele passou a sonhar com a irmã.- Mas vê se pode! A bichinha nem nasceu! - ria a tia cada vez que o menino descrevia os devaneios.
Em seus sonhos, não via a irmã como um bebezinho. Já era crescida, moça, traços fortes e olhos cor de mel. E não apenas se viam, como também conversavam.- Me conta alguma coisa sobre a vida. - perguntou ela, em certa ocasião.
- Eu não sei muita coisa sobre a vida.
- É claro que não. Você é só um menino. – disse, se desmanchando numa linda risada.- E você, que nem nasceu ainda?Eram sonhos realmente absurdos. A mãe não se importava com a imaginação do menino. Toda vez que perguntava a ele sobre a filha que ainda nem nascera, as notícias eram sempre as melhores. Era uma menina linda, sorridente...- E que nome colocará nela, mamãe?- Eu não sei ainda. – e, num gesto de zombaria, sugeriu - Por que não pergunta para ela?E foi o que ele fez. No sonho, ela disse que gostaria de chamar-se Mel.- Como seus olhos. - sorriu Marquinhos.No dia seguinte contou a mãe.- Mel? Eu não sei...estava pensando em Débora, ou...- É, você que sabe. - lamentou Marquinhos - É o desejo dela. Acho que ela tem o direito de escolher o nome que vai ter pelo resto da vida.A mãe ponderou e resolveu aceitar. Logo, toda a família já se referia ao bebê como Mel. A mulher também passou a se interessar mais pelos sonhos do filho. Afinal, eram tão bonitos...Chegou uma noite que Marquinhos sonhou pela última vez com a irmã. Era o mesmo prado de sempre e um corria em direção ao outro. Geralmente ela o recebia com a mais intensa alegria, mas não desta vez. Seus olhos estavam tristes e vazios.- O que você tem?Ela não respondeu. Foi andando para trás, com um sorriso triste e esquisito. Sumiu na paisagem depois de um último aceno.- A bolsa rompeu!O pai de Marquinhos levou às pressas a esposa para o hospital. Era o grande dia, finalmente. O dia de Mel chegar ao mundo.Marquinhos estava em casa com a avó. Ansioso, contava os minutos para os pais chegarem com sua nova irmãzinha. Queria ver se ela, apesar de tão novinha, já tinha aqueles olhos tão cativantes e o sorriso mais lindo que pode existir.Ele não entendeu nada quando os pais entraram em casa com os olhos secos de tanto chorarem. Só foi entender mais tarde, quando tentaram explicar:
- O bebê nasceu morto.Nasceu morto.
Era estranho demais, não fazia sentido.
Lembrou do seu último sonho com a irmã, aquele aceno de despedida. Era tudo muito esquisito, e queria entender por que algumas coisas acontecem.Mas ele era só um menino, e ainda tinha muito a aprender sobre as coisas doidas da vida.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 19 de abril de 2009

Conto: A síndrome de Caetano Veloso

Sei que você deve estar se perguntando:

“%$#& Diego, que &*%$# é essa de síndrome de Caetano Veloso”?

Eu explico:
O portador da síndrome de Caetano Veloso tem a capacidade de terminar todas as frases com “ou não”.
O coitado fala, fala, fala meia hora, e termina dizendo “ou não”, confundindo a cabeça dos ouvintes.
Alguns exemplos tristes e graves dos portadores da Síndrome de Caetano Veloso:

“Eu só saio com mulher. Ou não.”
Ronaldo “fenômeno”

“Tudo é relativo. Ou não.”
Albert Einstein

“Eu voltarei. Ou não.”
Padre dos balões

“A verborréia da hemorragia incessante que corrói até o âmago da latente deturpação massiva e ácida dos jargões compulsivos, latentes e pecaminosos da revolução francesa refletida numa inferioridade sub consciente e extremosa nos remete as mais adjacentes protuberâncias nocivas e ilícitas e quase que sempre estrutural. Ou não.”
Rui Barbosa

Entendido?
Esta é a triste realidade dos portadores da síndrome de Caetano Veloso.
Um fato: quase todas as mulheres são portadoras da síndrome de Caetano Veloso. As mulheres são mestres na arte de confundir os homens, por isso adoram terminar suas frases ardilosas com “ou não”.

“Eu vou dar pra você. Ou não.”
“Eu te amo. Ou não.”
“Sim, você pode me ligar. Ou não.”

É por isso que inauguro aqui a...

“Campanha de suporte aos portadores da síndrome de Caetano Veloso!”

Se você se sensibilizou de alguma maneira com esse texto, por favor, faça a sua contribuição.
O número da minha conta:

Branestado
Ag. 55555555555
Conta 5555 Dig. 5

Colabore você também! A vida é uma só, você não pode perder a oportunidade de ajudar ao próximo!
A vida é muito curta para ser desperdiçada! Numa hora você está aqui, e na outra...sei lá, uns balões o levam pro céu e você nunca mais volta.
Nenhum centavo da campanha ficará comigo. Sou o cara mais honesto do mundo.
Ou não.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Artigo: Visita a um Templo da Arte

O grande fato é que ninguém nasce sabendo. Como diz o ditado popular, todo mundo nasce banguela, careca e pelado. Até o grande arquiteto Oscar Niemeyer.
Nada como sair de casa no meio do feriado em um sábado ensolarado, enfrentar poucas filas de carros no trânsito e ir rumo a um dos maiores e mais importantes Museus de Arte Contemporânea do Brasil e América Latina. Há que ache programa de índio, como há quem diga que índio é aquele que não contempla a arte.
Na verdade, não é necessária nem se quer a entrada no Museu Oscar Niemeyer para visualizar as grandes obras ali exposta. O próprio lugar já pode ser considerado uma obra prima e batizado com o nome do autor, um mestre da arquitetura.
De complexo a complexo, a arte que toma conta dos nossos olhos mostra um lado quase nunca visto por nós próprios, a contemporaneidade. Os nomes não muito falados no dia a dia como: Bruno Giorgi, Emanuel de Araújo, Francisco Brennand estão em destaque no espaço privilegiado que também leva o sobrenome do gênio e audacioso arquiteto como “Espaço Niemeyer”. Nomes tão pouco falados más de grande importância na arte brasileira. É a partir dessa visita que podemos observar os grandes trabalhos dos grandes artistas.
A visita acaba sendo magnificamente significante, como um aprendizado à história da arte e à vida. Niemeyer soube e muito através de seu projeto mais audacioso transpassar esses valores à sociedade.
Ao ir embora, nos da à sensação de que algo nos observa com um desejo de que retornemos ao local. E se olharmos para trás, veremos que quem nos observa é o olhos do próprio museu.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo
Foto: Museu Oscar Niemeyer (http://www.pr.gov.br/mon/)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Conto: Babel

Imagine se fosse possível colocar em uma só mesa todas as pessoas do mundo. Todas, sem exceções. Não apenas embaixadores, diplomatas e chefes de estado, mas também a dona Maricota que trabalha como ajudante de auxiliar de secretária em Goiânia e o tiozinho da pipoca em uma das esquinas de Amsterdã.
Em meio a balburdia de bilhões de vozes e gestos, alguém joga no ar a questão mais importante da utópica reunião:
- O que nós fazemos com o mundo?
Sim, porque não dá mais. Nosso tão lindo planetinha, cada vez menos azul, já não agüenta levar nas costas nós, os humanos.
Nós poluímos como nenhum outro animal seria capaz até de conceber. Matamos por esporte e com crueldade premeditada. Roubamos os sonhos das outras pessoas. Colocamos rédeas e vendas uns nos outros. Somos a única espécie que enjaula as outras espécies – incluindo a nossa mesma.
Claro, este é o lado ruim da coisa. Também sabemos ser lindos, pacíficos, benevolentes. Não apenas sabemos o que é o amor, como escrevemos poemas sobre ele. Entendemos o que é a vida e a morte, apesar de não sabermos nem o que veio antes e muito menos o que virá depois. Sabemos chorar, de alegria e de tristeza. Perdoar? É complicado, mas também somos capazes de fazer. Pensamos em Deus. Damos nomes às estrelas. Damos nomes a coisas que desconhecemos. Sonhamos, a maior parte do tempo com os olhos abertos.
Ainda assim, a pergunta incomoda:
- O que nós fazemos com o mundo?
Talvez seja a única pergunta capaz de silenciar uma reunião de tal magnitude. Bilhões de vozes se calam, porque simplesmente ninguém sabe o que dizer.
Respostas, há muitas. Envolvem conceitos, preconceitos, ideologias, cultura... Seria arrogância presumir que a verdade tem uma única face.
Mas basta de filosofar. Já que ninguém abriu a boca para falar, resolveram abrir a boca para comer. Comida não faltou nessa reunião, visto o alto número de celebridades presentes. Num dos pontos da mesa, um garoto da Etiópia olha fascinado para uma travessa com lagostas. Ele simplesmente não entende o que está vendo. Sorri meio assustado.
- O que nós fazemos com o mundo?
O alvoroço ganha a mesa novamente, vira uma Torre de Babel, cada qual com seu idioma e gíria querendo tecer a melhor opinião sobre o que fazer para tratar melhor este mundo.
É inútil. É simplesmente inútil. Depois de horas arrastadas sem ninguém chegar a lugar algum, alguém dá um murro na mesa e explode:
- A conta, por favor!
Alguns descarados ficaram para o cafezinho. O garoto da Etiópia ainda não havia conseguido tocar nas lagostas, tamanho era o seu fascínio por elas.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Artigo: Tempos Bons

Passou o tempo em que os "tremendões" mandavam nos meios de comunicaçãos, muitos locutores com suas vozes aveludas e envoltas com estrondosos e alguns muitas vezes naturais efeitos graves!Pois é passou! No entanto, lembro-me que esses profissionais do rádio antigo, em minha opinião, pareciam ter um pouco mais de qualidade no trabalho que exerciam. Ou seria que o vozeirão ajudava? Lembro-me que as programações das rádios eram mais sérias, e também tinha o seu toque de entretenimento, mas tudo com a dosagem certa. O que não deixava a rádio tão boba e nem tão rude! Tempos bons esses... Era tão bom fazer o Feind Manual, fechar um canal e abrir o outro, nas antigas mesas, e ficar pronto já pra soltar a cartucheira ou Vinil ou o aparelho de cd e até mesmo o Top Typer!Eu só tenho 30 anos...Mas tive a felicidade de trabalhar em rádio antes da era digital!E quero dizer que era muito gostoso... Parece que a gente trabalhava mais! Ficávamos mais ligados nos afazeres!Talvez eu até gostaria de ter aquele "vozeirão" que muitos que passaram pelo rádio tiveram. No entanto sou feliz com a humilde voz que Deus me deu,e agradeço a ele pela qualidade profissional que me capacitou a adquirir a ser...sabe amigo leitor...hoje em dia é a junção do útil ao agradável.
Marcio Nato
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 10 de abril de 2009

15 anos sem Kurt Cobain

No dia 05 de abril de 1994, há exatos 15 anos, os fãs do rock ficaram órfãos com a morte de Kurt Donald Cobain, que aos 27 anos tirou sua própria vida com um tiro na boca, acabando assim sua curta, mas intensa vida. Foi encontrado morto em sua casa, três dias depois, por um funcionário que ia fazer uma limpeza no local. Ao lado de seu corpo foi encontrada uma carta de suicídio que ele escreveu pouco antes de se matar.
Kurt desde pequeno gostava de música. Começou a tocar aos 14 anos quando ganhou uma guitarra de um tio como presente de aniversário. Influenciado pelo punk rock, começou a compor e a pensar em ser um msico. O Nirvana começou em 1987 quando Kurt e Kris Novoselic (baixista) resolveram formar uma banda. Eles já se conheciam no colégio onde estudavam. Alguns anos depois o Nirvana e a cidade de Seattle, em Washington foram tomados pelo sucesso da banda atraindo as atenções no mundo inteiro, após o lançamento do segundo CD, Nevermind.
Desde criança, Kurt sofreu com a depressão, começando com a separação dos pais quando ele tinha nove anos e também por ter que morar de tempos em tempos na casa de pessoas diferentes. SWua mãe casou de volta e ele não se dava bem com seu padrasto. Na adolescência ele não trabalhava e também não fazia nada, por isso ele foi expulso de casa e chegou a morar algum tempo na rua. Nessa época começou a usar drogas e ficou viciado em heroína, o que ajudou a piorar sua depressão. Kurt não teve cabeça para enfrentar o sucesso, que veio muito rápido. Ele não gostava de ser taxado de rock star e de porta-voz de uma geração. Por isso resolveu queimar-se de uma vez em vez de se apagar aos poucos.
Pedro Mello Junior
Estudande de Com. Social - Jornalismo
Foto: http://www.eset.com

terça-feira, 7 de abril de 2009

Conto: Sinto saudades de conversar com Deus

Sinto saudades de conversar com Deus.
Como sentir saudades de algo que não se pode ver e nem ouvir?
Não é difícil.
A maior parte de nós ouve falar pela primeira vez de Deus durante a infância. É quando ouvimos falar em “papai do céu”.
Então, na hora de dormir, fechamos os olhos e agradecemos, às vezes pedimos. Tudo com a ingenuidade das crianças, algo que sem saber, iremos perder pelo caminho.
Então crescemos, e o nome “Deus” se torna algo mais forte, mais profundo, mais inexplicável. Você passa a questionar muitas coisas, mas logo entende que a fé se trata justamente de você acreditar em algo que não se pode provar, mas mesmo assim você crê.
Sem ver. Sem ouvir.
Não importa.
Deus está lá.
A maioria das pessoas busca Deus através da religião, o que é compreensível. Vivemos sem saber por que estamos aqui, como tudo começou ou vai acabar.
Ainda não entendemos a morte.
Isso assusta.
No meio da imensa ignorância dos homens, ajuda saber que existe uma verdade maior por trás de tudo isso, alguém que se importa com nossos sonhos e nos dá força para enfrentar os medos.
Eu tentei algumas vezes, mas nunca esbarrei com Deus dentro de algum templo ou igreja. Acho que é diferente para cada um de nós.
Nunca enxerguei Deus dentro de livros escritos pelos homens, pois homens, por melhores que sejam, são sujeitos a falhas como qualquer ser humano.
A bondade de poucos acaba sendo deturpada por muitos e Deus se transforma em algo, acredito eu, muito diferente do que realmente significa.
Deus não está em dinheiro, esmolas, falsas doações e sacrifícios. Ele está em cada gesto verdadeiro de amor e em coisas que vão muito além da nossa compreensão.
Ele sempre será um mistério.
Minha fé nada tem de inabalável. É difícil você falar sobre fé num mundo onde todos o condenam se você discorda dos dogmas criados pelos homens que usam o nome de Deus em benefício próprio.
Quem são os homens para se dizerem criaturas soberanas?
Não respeito os dogmas.
Respeito a fé sincera dos humildes.
Respeito a pureza das crianças.
Respeito o perdão, o arrependimento e a sinceridade dos pecados.
Respeito a forma humana de Cristo, o que o torna mais lindo ainda.
Respeito aqueles que se importam com o próximo e não vieram ao mundo apenas a passeio, sejam eles religiosos ou ateus.
Claro, pode ser que eu esteja errado. Mas tudo bem, errar é o que nós homens mais sabemos fazer.
Faz muito tempo que não converso com Deus, como se ele fosse um daqueles amigos que vamos deixando de telefonar para dar notícias, mas sabemos que ele está lá.
Já não fecho os olhos antes de dormir rezando para um “papai do céu”...mas as vezes, de noite, quando me sinto mais sozinho olhando para as estrelas, quase sempre penso nele.
Penso sobre sonhos, medos, pessoas e o que vai ser da minha vida no dia seguinte.
Eu sei que existo, mas será que o mundo precisa de mim?
Penso em tudo isso, mas também penso muito em Deus.
E sinto muita falta das nossas conversas.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 5 de abril de 2009

ACP e Casem lançam projeto de combate as drogas

Quanto vale um minuto de prazer? Para alguns, custa pouco, para outros, muito dinheiro, já para outros, a dignidade, o nome, a vida.A invasão das drogas na sociedade vem de forma arrasadora nas últimas décadas. Arrasando sonhos, separando famílias, apagando futuros. Um furacão que proporciona inúmeros agentes financiadores e três vezes mais, os consumidores.
No último dia 03 de abril em Curitiba foi realizada a Apresentação da Campanha “Perdeu”. A iniciativa que veio do CASEM - Conselho de Ação e Sustentabilidade Empresarial foi apoiada pela ACP - Associação Comercial do Paraná.A apresentação da campanha que durou cerca de 1 hora foi presidida por Avani Slomp (Presidente da ACP) e Marilda Précoma (Vice-presidente do CASEM e Coordenadora do projeto) contou com cerca de 20 participantes entre eles representantes de veículos de comunicação e conselheiros do projeto. Segundo Marilda Précoma do CASEM, “o intuito é de hoje divulgar que, com as drogas a pessoa perde a vida, mas futuramente queremos divulgar que pessoas ganharam a vida com a utilização dos serviços do projeto”.
O projeto foi criado com o objetivo de divulgar os pontos de tratamento e ajuda a usuários de drogas. Secretarias como a de antidrogas e de saúde (municipal e estadual) estão apoiando o projeto além de fotógrafos, modelos, atores e instituições como Positivo e RPC – Rede Paranaense de Comunicação na confecção de fliers e divulgação em diversos meios de comunicação em massa.
Os serviços 0800 e o site (ainda em construção) estão sendo tratados como um serviço importante e por isso, possuem uma comunicação inteligente e imprescindível. “Essa era a proposta”, afirma Marilda Précoma.
As peças da campanha possuem um forte apelo ao combate ao uso de drogas e mostra como elas prejudicam as pessoas. Como próximas etapas, Marilda afirma que serão dadas ênfases a tópicos como prevenção e tratamento.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Conto: Estrelas Amarelas

Foi como um sonho estranho...Vocês tinham que ter visto!Todo mundo estava lá, caminhando. Até mesmo aquela senhora chata da loja de sapatos da esquina. Até ela andava com a gente. Eu não entendia aquelas caras feias. Juro que não entendia. Nós eramos tantos, o que podia dar errado?E as estrelas! É o que mais me lembro desses dias! Todos nós carregávamos estrelas nos braços, estrelas amarelas. Papai me dizia que aquele era o meu amuleto da sorte. E parecia mesmo ser um dia de muita sorte. Eu estava cansada de tanto andar e papai me pegou no colo. Ficou olhando para os lados, com medo. É, dava pra ver que ele estava com muito medo, mas eu não sabia bem do quê. Na hora eu pensei que era porque eu tinha que ser uma menina corajosa. Tinha outras crianças lá, acho que tão curiosas quanto eu. Eu tinha muitas perguntas, mas papai me mandava ficar em silêncio. Mas, então, por que aqueles homens não paravam de berrar? Eles, os homens sem estrelas. No lugar das estrelas, havia aranhas.Aranhas negras.Eu jamais trocaria uma estrela por uma aranha. Quem faria uma tolice dessas?Não tive muito tempo pra pensar. Chegamos nos trens e eu dei um riso de alegria, porque nunca tinha andado num trem antes. Papai me apertou no peito, como se alguém fosse me roubar. E me roubaram mesmo, apesar de parecer mentira. Fui colocada no mesmo vagão que mamãe. Isso me aborreceu, pois com todo o respeito, mamãe sempre foi uma resmungona das mais chatas. O trem era mágico, só podia ser. Não tinha como caber todas aquelas estrelas num espaço tão pequeno.Mas coube! Juro que coube!E depois de muito tempo, nem sei quanto, nós chegamos num lugar cheio daqueles homens que carregavam aranhas nos ombros. Eu vi papai saindo do vagão e corri até ele, mas um homem me empurrou para o chão e gritou comigo. Eu chorei e ele gritou mais ainda. Mandou que eu fosse tomar um banho junto com os outros. Eu achava que depois disso ele ia me deixar ver papai. Fui para o chuveiro com outras crianças e muita gente velha. Foi estranho quando trancaram a porta.Não havia água! Acredita nisso?Lembro que sumi no meio da fumaça e fui subindo cada vez mais, voando sem direção. Olhei para baixo e vi papai trabalhando. Quanto orgulho eu tinha dele!Vim parar no meio das nuvens, eu e um montão de outras estrelas amarelas. Ainda não sei como, mas aqui estou eu. Continuamos caminhando, mas acho que agora para um lugar melhor. Deve ser. Não vi mais o medo nos olhos de ninguém."Minha estrela". Era assim que papai me chamava. A vida é mesmo muito engraçada.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Artigo: Auto-falante humanos

Quem, nessa cidade de Curitiba, já não se deparou com a infeliz situação de encontrar alguém com um aparelho de som com auto-falante estourando no último volume nos ônibus? Principalmente aos domingos nos “Vermelhões”, quando as passagens são mais baratas. A maioria dos incômodos passageiros é adolescente, mas existem exceções revoltantes, é uma situação realmente perturbadora.
Que isso é falta de respeito, é óbvio, mas, além disso, é um tremendo descaso com os outros cidadãos que utilizam o transporte público. Por mais que agrade uma ou outra pessoa ao lado, ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que o outro. Cada um é um ser único. É revoltante ter que ouvir as mesmas músicas que outra pessoa. O pior é que se você toma alguma atitude, por mais sutil que seja, ainda corre risco de apanhar. É um absurdo!
Meu irmão queria dar uma “voadora” em todas as pessoas que fazem isso. Já eu acho que só uns bons gritos e sermões já fazem algum efeito, mas gostaria de aderir à campanha da minha colega e doar um fone de ouvido a cada um desses indivíduos, com o apoio da prefeitura, é claro.
Minha amiga contou que passou por uma situação em que nem conseguia ouvir os próprios fones de ouvido de tão alto que estava o volume do aparelho de uma mulher acompanhada de sua filha pequena. Que horror! E essa menina, que belo exemplo vai ter, não?!
Isabelle Hundsdorfer
Estudante de Com. Social - Jornalismo

terça-feira, 31 de março de 2009

Conto: O furo

Álvaro era foca, louco por um furo.
Não pensem que me refiro a espetar uma pobre foca com um alfinete. “Foca” é um repórter iniciante. “O furo” é uma grande e inédita notícia, fresquinha.
Álvaro estava maluquinho por uma coisa grandiosa, um furo do tamanho de uma cratera. Uma exclusiva com o ET de Varginha. Achar Jimmy Hoffa – e vivo, ainda por cima. Cobrir uma ilha com mutantes. Elvis refugiado num asilo. Carla Perez discutindo física quântica. Algo inacreditável.
Conseguiu quando menos esperava. O inexperiente Álvaro havia decidido passar o fim de semana no campo, longe da cidade, espairecer um pouco a cabeça.
Quando estava passeando por uma colina, Álvaro se deparou com ninguém menos do que Deus.
É, Deus. Você ouviu. Deus se assustou:
- O que você está fazendo aqui, na minha colina secreta?
Álvaro estava boquiaberto. Então Deus era assim? Se amaldiçoou por não estar com sua máquina fotográfica.
- E-eu – gaguejou Álvaro. - ...Estou atrás de uma grande...
- Reportagem. Eu sei. Eu sei de tudo.
Num ímpeto de extrema audácia, Álvaro soltou a pérola:
- Posso te entrevistar?
Entrevistar Deus. Era só o que faltava. Mas entendam, Álvaro era um pobre foca e ninguém teria feito diferente.
Deus franziu a sobrancelha e perguntou:
- Em off?
Álvaro não conseguiu mentir para Deus. Nem poderia. Confessou que sua intenção era ficar famoso com a entrevista. Uma exclusiva com Deus não era pra qualquer um.
Cativado pela sinceridade de Álvaro, Deus concedeu a entrevista. Conversaram sobre o sentido (ou falta de) da vida, Deus revelou seu time de futebol preferido, o que realmente pensava das religiões e onde estava com a cabeça quando criou os portugueses.
- Não se pode acertar todas. – disse Deus humildemente, dando de ombros.
Terminada a entrevista, Deus voltou para seus afazeres e Álvaro dirigiu como um louco em direção a cidade. Tinha tudo gravado numa fita de áudio, a própria voz de Deus, que aliás, lembrava um pouco a do Lombardi.
Mas quando Álvaro foi testar a fita, ela enrolou todinha e ficou irreparável.
Desesperado e duvidando da própria sanidade, Álvaro decidiu escrever a matéria mesmo assim. Tinha ótima memória e relatou a entrevista que tivera com o Todo Poderoso.
Virou motivo de piada. Foi despedido. Perdeu o respeito de todos. Teve que ser internado num hospício. Passava horas por dia berrando:
- É verdade! É verdade!
Um dos poucos amigos que não o abandonaram foi lhe visitar certo dia. Álvaro, deprimido, falou sem forças:
- A fita estragou. Mas é verdade.
O amigo, mesmo sem acreditar, deu um meio sorriso e disse com simpatia:
- Que furo, hein?
E Álvaro teve que concordar:
- Que furo.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pernambuco: Estado do “Seis ou Sessenta”.

Pernambuco possui cidades de inúmeras belezas naturais e praias maravilhosas de deslumbrar até mesmo o menos sentimental dos indivíduos
Seu carnaval é de alegria contagiante, em que famílias inteiras brincam por dias e noites, mesmo faltando um mês para a terça de carnaval.
O povo é hospitaleiro, lhe tratam com respeito, mesmo porque você representa o sustento de muitos trabalhadores.
Palafitas sobre as margens dos rios, subúrbios formados por barracos de uma extensão tão grande, que chegam a se perder na vista são cenários comuns no estado. Rios de grandes proporções, nos quais o lixo se acumula nas margens ou até mesmo chega a cobrir toda a sua extensão.
O sistema de coleta do lixo é totalmente precário. Os dejetos são depositados em qualquer lugar. Terrenos vazios servem, como verdadeiros lixões. Nas praias, você anda quilômetros para encontrar uma lixeira. Quando encontra, não há separação de lixo orgânico e reciclável. Aliásreciclagem, a maioria das pessoas não conhecem.
Harisson Esmaniotto
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 29 de março de 2009

Conto: Sexta-feira 13

Gatos pretos, tremei!
Escondam-se, ó doces criaturinhas, pois é sexta feira, 13, e vocês, decididamente, trazem má sorte. Pelo menos é nisso que os babacas acreditam.
Mas, cada um com seus problemas. O meu, no momento, é fazer um texto verdadeiramente horripilante para que as pessoas leiam nesta sexta macabra e congelem os ossos.
“Huahuahuahua!”.
Comecemos: seu nome era Carry, uma garota muito estranha. Às vezes, de madrugada, um espírito encapetado fazia download nela e só era expulso com reza braba! É de se ver!
Mas Carry tinha um irmão caçula, o Fredy, e se é que é possível, era mais problemático ainda: ele tinha uma maldição, uma maldição tremenda! Era azarado que só vendo.
Um dia, Carry e Fredy estavam andando pelo bosque e se perderam na hora de voltar pra casa. Então ficou escuro. Sim, meus irmãos, escuro como o Pelé treinando embaixadinhas com uma bola de boliche num depósito de carvão à meia-noite!
Desesperadas, as duas crianças tentaram, a todo custo, encontrar o caminho de volta pra casa.
- Estamos ferrados e mal pagos, Carry!
- Por que diz isso?
- Já viu o título deste conto?
Sim, era sexta feira treze. Perto da meia-noite. Corujas davam rasantes pelas cabeçorras amedrontadas e piolhentas de Carry e Fredy... Então, eles escutaram uma risada:
- Quack!
Ah sim, me desculpem. Primeiro eles escutaram um pato. Depois sim, as risadas:
“Huahuahuahuahuahuahua!”.
- Ouviu isso, Fredy?
- Claro que não. Esqueceu que eu sou surdo?
- E eu muda. Estranho. Muito estranho.
Toda a noite era estranha. O céu revelava uma congelante lua cheia, e ao olhar para ela, Carry e Fredy ouviram um uivo agonizante:
- Auuuuuuuuuuuuuuuuu! Au!
Era Frank Aguiar fazendo campanha política.
- Maldição, Carry!
- Calma, Fredy! Vai ficar tudo bem!
- Não tem chance de acabar bem! O cara que está escrevendo este conto é doente da cabeça!
E de fato, quando as crianças voltaram a olhar para a lua, viram um vulto misterioso. Parecia um...parecia um padre segurando balões, mas isso não fazia o menor sentido!
Carry e Fredy correram desesperados, tropeçando em pedras, galhos e perfumes da Natura. No desespero, Fredy berrou estupidamente:
- Eu daria a minha vida pra sobreviver!
De repente, algo chamou a atenção de Carry:
- Veja, Fredy! Estou vendo uma luz lá na frente!
- Eba!
Tragicamente, as duas patéticas crianças correram velozes em direção a um trem, minutos antes de o dia amanhecer.
E aqui termina mais um trágico conto de sexta feira treze... espero que vocês tenham aprendido que...que...bom, acho que não há muito o que aprender. Sinto muito.
- Auuuuu! Au!
Cala a boca, Frank. Agora não.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sábado, 28 de março de 2009

Conto: O Peixinho

Um peixinho lembra apenas dos últimos segundos da vida dele.
Sendo assim, quando um peixe está nadando, ele sente como se tivesse passado a vida inteira nadando.
Quando está cansado, não consegue se lembrar nenhum momento de sua vida em que não esteve cansado.
Quando sente fome, sua fome é imensa, pois é como se nunca tivesse se alimentado.
Quanto a nós, lembramos de tudo. Fragmentos da infância. Rostos. Vozes. Cheiros.
Por isso sentimos saudades. Por isso amamos. Por isso é difícil perdoar. Até que chegue a nossa hora, estaremos lembrando.
Às vezes nos parecemos com os peixes.
Depende de como nós somos.
Porque, quando um pequeno peixe está morrendo...pobre peixinho! Para ele, é como se tivesse passado a vida inteira...morrendo.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 27 de março de 2009

Artigo: A confinaça

Falar sobre confiança é discutir uma grande incógnita em todos os relacionamentos.
Hoje em dia as pessoas afirmam confiar plenamente em seus parceiros. Geralmente essas afirmações vêem em frases, como por exemplo: “Eu confio no meu taco”, “Coloco minha mão no fogo”. De acordo com o Dicionário Aurélio, confiar é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não é verdadeiro”. Mas será que na vida real, é tão fácil assim?
O amor de hoje em dia tão questionado e discutido, na maioria das vezes é só mais uma atração para jovens, adolescentes.
No geral, ninguém espera que a primeira “ficada” da sua vida seja a última de todas, chegando ao casamento, e “até que a morte nos separe”.
Quando ficamos apaixonados, com todos os benefícios e maldades, por mais que inconsciente seja, temos a certeza de que a pessoa que amamos é realmente nossa. E SÓ NOSSA!!! Mas com a Internet e as facilidades que ela traz, a traição se torna rápida e invisível. Hoje é possível conversar em sites de relacionamento, bate-papos, Messenger, marcar encontros e nunca mais ver a pessoa, só para satisfazer um desejo, coisa de momento e rápido. Bem diferente do amor verdadeiro, que como esperamos, deve durar para sempre.
Mas até onde a desconfiança pelo outro vale a pena? Se andar muito preocupado com isso, antes de qualquer coisa, sente e converse. Em qualquer relação devemos ter pleno conhecimento da vida do outro e liberdade de conversar de igual para igual. Ninguém é melhor que ninguém em um namoro, em um noivado e, até mesmo, em um casamento. Os dois estão ali, no mesmo barco, juntos, lutando em busca de um mesmo ideal. Agora, se você não tem liberdade suficiente para conversar e deixar bem claro o que pensa, é melhor rever em que pé está essa relação. Isso leva um bom tempo para nascer e desenvolver, mas se de um lado não há movimentação, então tome à frente você e comece a deixar espaço para que o outro indague, deixando bem claro o que realmente quer. Mostre, sem vergonha e sem medo, que você está ali somente com um propósito: amar e ser amado, sem ninguém no meio. Assim o outro lhe mostrará o que realmente quer.
Alice Carolina Bulotas
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quinta-feira, 26 de março de 2009

Caco Barcelos e os novos Comunicadores

O jornalista Cláudio Barcelos 33 anos de profissão, esteve nesta segunda-feira, dia 23 de março, no auditório Gregor Mendel da Pontifícia Universidade Católica do Paraná para fazer uma palestra para 300 estudantes da área de comunicação.
Em uma conversa descontraída contou histórias da sua trajetória, dificuldades e curiosidades da sua profissão.
Sua primeira reportagem assinada como Caco Barcelos, aconteceu quando o jornalista vestiu-se na pele de um taxista e foi às ruas de São Paulo para averiguar como seria a vida destes trabalhadores.
Explicou que um repórter tende a contar melhor uma história quando está envolvido nela. E surpreendeu quando disse que um repórter, para falar diretamente em rede nacional, leva de sete a dez anos, em média.
Por isso desenvolveu o projeto Profissão Repórter, cuja proposta era trabalhar com repórteres iniciantes, sem experiência e que pudessem acelerar o processo dentro da profissão. Ou seja, não precisariam passar de sete a dez anos para atingirem a massa. Sofreu resistências dos colegas jornalistas que não admitiram que jornalistas iniciantes fossem poupados do processo comum dentro da redação.
No processo de seleção, no qual 24 mil jornalistas concorreram a 30 vagas, inicialmente foram selecionados 150 para uma peneira de 30 escolhidos. Estes profissionais ficam responsáveis por quatro funções que, na maioria das vezes, são realizadas por quatro grupos de 5 profissionais. São elas: pesquisa, produção, edição e finalização.
Quanto ao perfil do jornalista de sucesso, Caco descatacou algumas característica fundamentais: o jornalista tem de ser alguém inquieto, inconformado mesmo quando tudo parece estar bem, há que buscar e cobrar mudanças.
Segundo Caco, um profissional que quer falar a verdade não pode basear-se somente em entrevistas, isso é pouco. Entrevista é “lixo ou apenas pauta”. Entrevista é, sim, importante mas a investigação é fundamental já que lidamos com a honra de terceiros e não podemos fazê-lo sem provas. Ele aconselha:nunca faça reportagens usando declarações sem a certeza de que são verdadeiras.
O jornalista ainda falou sobre o preconceito de classe. É ele quem determina a qualidade do trabalho, se é bom ou ruim. E para finalizar deu o exemplo de uma jornalista:
Caco saiu a campo para conhecer a vida dos usuários de craque. Conheceu um grupo de usuários e, entre eles, uma moça chamada Esmeralda. Magra e judiada pelas ruas de São Paulo, Esmeralda costumava dormir nos quentinhos da cidade, bueiros que soltam vapores quentes. Ela contou que costumava a ser acordada aos pontapés pelos policiais e se considerava uma pessoa de sorte por não terem estragado todos os dentes com os chutes. Quinzeanos depois ele volta as ruas para conferir a veracidade de que os usuários de craque não conseguem abandonar o vício. Uma vez viciados, morrem assim. A única pessoa do grupo de 15 anos atrás que ele encontrou era Esmeralda. Mais gordinha, ela contou que passou 10 anos presa e na cadeia começara a estudar, agora era jornalista formada.
Esmeralda tinha o sonho de entrevistar Mano Brown, o vocalista do grupo Racionais. Mas Mano Brown era avesso a entrevistas e relutou para conceder a entrevista. Ela insistente, perseguiu-o durante 15 dias tentando conseguir a entrevista. Em uma noite de show o grupo conseguiu reunir três milhões de pessoas no centro de São Paulo. Neste show, a polícia avançou sobre a multidão e formou-se uma guerra no centro de São Paulo. Vários tiros de borracha, bomba de gás e pessoas machucadas.
No dia seguinte, na redação da Rede Globo a diretoria estava furiosa, pois uma guerra havia acontecido na madrugada e ninguém estava lá para registrar. Foi quando Caco informou a diretoria que Esmeralda estava lá. Então a diretoria questionou o porquê de não terem chamado alguém mais experiente para cobrir episódio. Foi quando Caco, pedindo licença a Esmeralda, tomou posse de uma sacola de fitas que ela tinha nas mãos e despejou-as todas sobre a mesa da diretoria dizendo o seguinte:
“Esta que vocês costumam a chamar de craqueira inexperiente passou a noite toda no centro de São Paulo fazendo a cobertura de tudo, registrou tudo em imagens que estão aqui, enquanto os bons profissionais, os experientes estavam dormindo.”
As imagens que Esmeralda fez foram as únicas imagens registradas do acontecido. A emissora vendeu as imagens para as concorrentes e também para redes internacionais.
Vanuza da Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nação Zumbi se apresenta no John Bull em Curitiba

A banda “Nação Zumbi” chega a Curitiba direto de Recife e se apresenta, dia 27, no John Bull Music Hall com o show “A fome tem uma saúde ferro”.
A banda foi montada em 1990 tendo à sua frente o líder Chico Science que iniciou, na época, junto com Fred Zero Quatro, o movimento Manguebeat, dentro do movimento o manifesto “Caranguejos Pensantes”.
O movimento trabalha com letras de forte cunho crítico em referênciaaos problemas sociais e ritmos que misturam influências do pós-punk, rock, maracatu e samba.
Mesmo com o falecimento de Science, a banda continuou nos palcos e é hoje respeitada no cenário do rock brasileiro completando 19 anos de carreira.
Mariana Priscila de Lima e Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo

terça-feira, 24 de março de 2009

Artigo: Miopia

A miopia, muito mais que um defeito ocular é um jeito diferente de ver o mundo, quase uma benção.
Pense bem, quem é míope de fato vai me entender: nós (míopes) não vemos muito bem o que está longe, no meu caso em uns dois ou três metros já está tudo embaçado. Para estudar, principalmente pra copiar as coisas do quadro negro (que é verde), é um caos! Ver TV do sofá então, nem pensar!
Mas, em compensação, somos privilegiados com a dádiva de não julgar ninguém antes de ter certeza. Ninguém é feio, são todos quase iguais. As cores são mais intensas, e as luzes então? Ah, simplesmente encantadoras! É como se elas fossem mais fortes, como se iluminassem mais! Elas envolvem e fazem a imaginação fluir e viajar longe.
Talvez pelo defeitinho nos olhos agucemos os outros sentidos, por isso os shows que “vemos” são muito mais “SHOW”, as músicas preenchem a alma, não são só barulho! E isso, unido às luzes e à animação das pessoas, é mágico.
E esse negócio de não ver direito o que está longe também funciona para a vida: não a levamos tão a sério, não nos preocupamos com o que está longe, o futuro. Vivemos o agora, o que está próximo.
Por essas e outras que ser míope não é tão ruim. Chega até a ser bom! E às vezes é muito bom não enxergar certas coisas. A não ser naquela situação desagradável em que sua amiga diz: “amiga, olha aquele gatinho te olhando!”.
Isabelle Hundsdorfer
Estudante de com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 23 de março de 2009

Saint Patrick's Day: Um feriado que ganhou o mundo

Na Irlanda, 17 de março é feriado nacional. O St. Patrick's Day, ou dia de São Patrício, padroeiro do país, celebrado desde o século 18, deixou há muito de ser somente feriado religioso e acabou sendo importado por vários países.
Neste dia, há desfiles pelas ruas das grandes cidades irlandesas e as pessoas vestem-se de verde e pintam trevos no rosto.
Reza a lenda que, apesar de ter nascido na Grã-Bretanha, São Patrício foi vendido como escravo para a Irlanda, quando tinha apenas 16 anos. Voltou para casa seis anos depois, após ter conseguido fugir de seu cativeiro. Desde então, dedicou-se à vida religiosa e acabou retornando à Irlanda para pregar o Evangelho. Utilizava o trevo de três folhas para explicar como a Santíssima Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo) era três e um ao mesmo tempo.
É por isso que o trevo de três folhas sempre acompanha a identidade de St. Patrick e é usado pelos irlandeses como adorno nas comemorações. Já a adoção da cor verde como símbolo é associada ao dia de St. Patrick porque é a cor da Primavera, da Irlanda (considerada a Ilha Verde) e do próprio trevo.
Hoje este é um dos eventos culturais mais famosos do planeta, com direito a enormes desfiles nos Estados Unidos e Canadá e há programações especiais em todos os pubs irlandeses no Brasil.
Em Curitiba, a festa se concentrou no Sheridan's Irish Pub, que trouxe a comemoração à capital paranaense pela 5ª vez. A festa ocorreu entre os dias 13 e 17 de março e contou com comidas e bebidas típicas irlandesas, como o chope verde, além de decoração especial e shows de sete bandas ao vivo.
Suelen Maia
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 22 de março de 2009

Conto: Gangorra

- Hã?
- Sim.
- Como assim?
- Sim, ué. Você me perguntou, eu respondi. Sim.
- Aceita namorar comigo?
- Sim.
- Eu não entendo...
- O que tem pra entender, criatura?
- Até hoje eu só levei fora
- Vai ver eram as pessoas erradas.
- Ou eu estava errado.
- Que importa? Eu aceito.
- Estou chocado!
- Está arrependido?
- Claro que não!
- Então...
- É que eu não sei o que fazer.
- Como assim?
- O que eu faço com você?
- Você namora comigo.
- E como funciona?
- Nunca namorou antes?
- Não, já disse.
- Aviso desde já que morro de ciúmes.
- Ciúmes do quê?
- Das outras mulheres.
- Mas das outras eu só levo fora.
- Você podia pelo menos sorrir.
- Estou um pouco tenso.
- Relaxa...
- Não sei lidar com o imprevisível.
- Relaxa...
- Acordei hoje pensando: vou me declarar pra Tati.
- Sei.
- Assim seria o meu dia: eu me declaro, levo um fora e saio pra tomar um porre.
- Seria triste.
- Seria como sempre foi. E agora você me diz sim.
- Exato.
- E eu não sei o que fazer!
- Me leva pra jantar.
- Ta cheio de parente lá em casa me esperando...
- Mas você também, hein? Mulher gosta de cara confiante, sabia?
- Então por que você gosta de mim?
- Eu não gosto de você.
- Não?
- Sou apaixonada por você.
- Como se apaixonou por mim?
- Já namorei um tipo igual a você, eu curto uma repetição.Além do mais, você sempre me fez rir.
- O Gordo e o Magro me fazem rir e eu não estou apaixonado por eles.
- Você é muito confuso.
- Me acostumei tanto a levar fora que me condicionei a isso.
- Achava apenas que você era um cara tímido...mas estou vendo que você tem problemas.
- Não, não é pra tanto. Você tem razão, é só insegurança...
- É uma pena.
- Vamos jantar?
- Eu perdi...
- A fome?
- A vontade. A gente se vê por aí...
- Não, espere! O que você vai fazer amanhã?
- To no começo de gripe...
- Eu ligo pra você!
- Acho melhor não...
- Espera Tati! Você já disse sim, não pode voltar atrás na decisão!
- Não, não se pode voltar no tempo. O resto pode.
- Eu te amo!
- Não faça isso.
- O quê?
- Papel de bobo.
- Sou um bobo apaixonado!
- Fez de novo...
- Volta comigo, Tati!
- Mas ainda nem namoramos!
- “Ainda”?
- Tire este sorriso do rosto. Não dá mais.
- Por que não?
- Eu fui precipitada na resposta
- E eu fui precipitado na pergunta! Somos perfeitos um pro outro!
- Quer levantar? Um homem de joelhos, no meio da rua...
- Quer namorar comigo?
- Você já perguntou isso.
- Você disse que curte uma repetição.
- Você ouviu o que eu disse?
- Por que não ouviria?
- A maioria dos caras não ouve.
- Bem, eu não sou a maioria.
- É, você é diferente. Quer mesmo ter um relacionamento sério?
- Mais sério que encontro de papas.
- Mas papa só tem um.
- Pra você ver como a coisa é séria.
- Pois eu vou voltar atrás.
- No quê?
- Na decisão.
- Então quer dizer...
- Sim.
- Sim de novo?
- Sim.
- Que coisa.
- E você ainda não está sorrindo.
- Me veio o pânico de novo.
- Mas você precisa trabalhar isso em você!
- Por que está nervosa?
- Ainda nem nos beijamos e já tivemos nossa primeira briga!
- É verdade...
- Aliás, por que ainda não nos beijamos?
- Não sou um destes caras.
- “Caras”?
- Caras que já chegam agarrando.
- Mas eu sou a sua namorada!
- Até um minuto atrás não era.
- Bem, então me beije agora.
- Aqui?
- Qual o problema?
- Eu estava pensando num lugar mais romântico.
- Aonde?
- Algum parque, algo assim.
- A esta hora é perigoso.
- Amanhã de manhã, então?
- Combinado. Você me pega?
- Eu não tenho carro.
- Ah...
- O que foi isso?
- Isso o quê?
- A cara de decepção que você fez.
- Fiz cara nenhuma.
- Eu vi!
- Pois troque os óculos.
- Aposto que seu último namorado tinha carro.
- Tinha sim. E daí?
- E daí que você não me quer.
- Chega! Você é muito inseguro!
- Um inseguro sem carro.
- O carro não tem nada a ver.
- Aposto que seu ex-namorado...
- Meu ex-namorado era um homem muito seguro.
- E o carro dele, também tinha seguro?
- Você ta me ofendendo...
- Desculpa, Tati...
- Estou indo...
- Não, fica! Eu te beijo agora!
- Me larga.
- O que foi?
- Você parece um destes caras.
- “Caras”?
- Caras que já chegam agarrando.
- Mas você é minha namorada!
- Não sou mais.
- Quando foi que terminamos?
- Quando foi que começamos?
- Quer saber? Precisamos de um tempo!
- Também acho.
- Depois quem sabe nós voltamos.
- No tempo?
- Não, nós dois?
- Entendo.
- Já estou com saudades.
- É possível sentir saudades de algo que ainda não se viveu?
- Te juro que é.
E foram tratar de suas vidas.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sábado, 21 de março de 2009

Cerca de 4 mil pessoas assistem Rafinha Bastos

Aconteceu no último domingo, dia 15 de março, no Estação Convention Center o Stand up Comedy de Rafinha Bastos (do programa CQC). Rafinha veio a Curitiba para mostrar seu novo show " A Arte do insulto". A apresentação estava programada apenas para receber 2 mil pessoas, mas a procura foi maior obrigando o assessor do comediante, Ítalo Gusso programar mais um show. Rafinha conseguiu segurar sozinho um público de 4 mil pessoas com duas apresentações de aproximadamente 1h 30 cada. Compareceram espectadores de diversas cidades próximas a Curitiba. Um desses casos foi o da estudante de Publicidade, Thais Moraes que veio de Campo Mourão, a 460 km de Curitiba.
Letícia Lemos
estudante de Com. Social - Jornalismo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Artigo: Excluidos versus Excmungados

Num país onde excomungam pessoas por atos considerados pecaminosos, à vista da igreja, é claro, temos também os excluídos – às vistas sociais, políticas e humanas. O personagem em questão é conhecido por Adriano. Sobrenome? Não se sabe. Creio quem nem ele lembre. Para quê sobrenome se ele vive em um mundo que se importa tão pouco com pessoas como ele? Que diferença faz? Apesar disso, segue sua vida atribulada pelas preocupações que são só suas: onde passar a noite, para onde ir, o que comer e que trabalho realizar. O amontoado de quinquilharias em seu carrinho se confunde com seu amontoado de decepções: ele não tem família nem amigos. Não tem perspectivas e sequer sabe o que faz. A venda do papel coletado rende-lhe alguns míseros trocados; muitas vezes não lhe bastam sequer para adquirir um desjejum ou almoço decente. Expulso do centro da cidade, segundo relato seu, foi obrigado a viver às margens daquele local e refugiar-se nos bairros – atualmente o local em questão é a Vila Hauer. Esse é o seu mundo, seu território geográfico limitado a andanças pela vizinhança atrás de algo para vender, ou melhor, algo que possa se transformar em alimento. Os pernoites acontecem dentro de seu carrinho para coleta de material reciclável. Aliás, dorme e consequentemente zela pelo que consegue juntar num dia de trabalho. Não tem outra opção. Os planos governamentais e assistenciais não o alcançam. Para a sociedade ele não existe. É uma figura conhecida - às vezes temida - apenas como “catador de papel”. Apesar disso, ele tem sua história. Triste, se conclui, mas é sua história.
Ezequiel Quister
Estudante de Com. Social - Jornalismo

terça-feira, 17 de março de 2009

Poema: Alma Roxa

Garota de alma roxa
Que anda pela noite
Boemia já cansou!
Mas não está satisfeita
Agora busca a teoria da Terra do Nunca
Já ficou sem dormir
Chorou, esqueceu, sumiu
Agora sobrevive com o único remédio
Livros
Está em tratamento
Precisa treinar
Precisa controlar o peso
Falar corretamente, tirar boas notas e saber mexer na câmera.
Porém
Não tem medo
Ela tem a alma roxa.
Mariana Priscila de Lima e Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Contos: Dor

Ela acordou... Na verdade ela não dormiu, já não dormia há muitas noites, não conseguia esquecer seu cheiro, algo que ela não teria mais. Levantou-se. Na cozinha preparou uma caneca de café e sentou-se para beber. Também não pôde, o gosto do café só a fazia lembrar-se ainda mais do gosto dele. Ela sabia que nunca mais o teria.
Saiu no meio da noite, em busca de um pouco de ar, pois não estava conseguindo respirar dentro de casa. Caminhando pela areia, ao som do mar e somente com a lua como companhia, ela chorou. Sentou-se próxima da água e tentou lembrar como era a felicidade, mas a ferida em seu peito não permitia que ela tivesse boas lembranças.
Deitou-se ali, na praia, na esperança que a dor fosse embora. Então lembrou daquilo que sempre lhe foi dito: “O tempo cura tudo”. Mas quanto tempo ainda teria que conviver com essa dor, com esse vazio? E novamente ela chorou.
Amanheceu e ela ainda estava ali. Por dias permaneceu ali, sem dormir, sem comer, sem pensar, apenas esperando por uma resposta que ela sabia que não teria. Enquanto a dor aumentava em seu peito, lembrava-se de tudo que tinha acontecido e não entendia, não podia entender o que tinha feito de errado.
Então percebeu que o tempo jamais a iria curar, que a dor nunca iria passar. Juntou o pouco de forças que ainda lhe restava e conseguiu levantar-se, então naquela noite, junto ao mar, sua dor passou e por alguns segundos ela lembrou-se de como era a felicidade.
Patricia Rueda Strogenski
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 11 de março de 2009

Artigo: Prostituição em destaque

Quem ainda não se deparou com as propagandas da prostituição afixadas nos telefones públicos da cidade? Pelo menos para aqueles que se utilizam deste serviço, fatalmente haverá o contato com a “publicidade do sexo”. A imagem é um veículo indispensável na sociedade atual e, como tal, também é fonte de informação, assim, o mercado do sexo local aposta alto no “business” da imagem para atrair consumidores, na maioria homens, para o produto sexual. Apesar do foco ser em um nicho de clientela específica, bem como da restrita área de atuação, o que se percebe nessas propagandas são técnicas, até certo ponto arrojadas, buscando em pequenas imagens delinear a qualidade dos serviços prestados, do produto e logicamente, o sigilo na utilização que é sua característica primordial. Para aqueles que não estão familiarizados ainda com a propaganda explícita restritas aos “orelhões”, cabe a insatisfação de se utilizar do aparelho eventualmente sem deixar de notar as protuberantes partes femininas colocadas em destaque.
A obscenidade é, sem dúvida, a parte mais constrangedora dessa propaganda. A necessidade, muitas vezes, impede a pessoa de escolher qual aparelho utilizar, se é que isso é possível principalmente no centro da cidade. É raro quem não comente e desaprove tal medida imposta pelos exploradores sexuais ou gigolôs ou cafetões que, por trás deste comércio, desprezam valores, limites e necessidade de manutenção dos bons costumes. Da ilegalidade de tais propagandas não é preciso falar, pois é notório que elas abusam da liberdade de expressão e apontam para a perversão e libidinagem. Num país em que cotidianamente se vê e se ouve nos veículos de comunicação casos de pedofilia e abusos sexuais das mais diversas formas, como por exemplo, a história da menina de Recife-Pr, de nove anos, que teve a gravidez – fruto de um estupro - interrompida por autorização judicial, a limitação e a exposição deste tipo de propaganda deveriam ser alvos de mais atenção por parte das autoridades. É inegável que a banalização da sexualidade é também um combustível que move as desordens comportamentais e estimula, até certo ponto, abusos dos mais variados. Enfim, quando precisar utilizar um telefone público tente se manter alheio ao bombardeio desse tipo de propaganda.
Ezequiel Schukes Quister
Estudante de Com. Social - Jornalismo
Foto: Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 4 de março de 2009

Artigo:

Ingredientes para formar um bom fotógrafo
Num domingo de tempo nublado quatro amigos reuniram-se para fotografar no Mercado Municipal de Curitiba: Hamilton Junior (segundo período de Jornalismo), Jhonny Isaac (terceiro período de Produção Editorial), Waléria Pereira (quarto período de Jornalismo) e Daniel Oikawa (professor de fotografia)

O grande fato é que ninguém nasce sabendo. Como diz o ditado popular, todo mundo nasce banguela, careca e pelado. Até o J.R. Duran.
É vendo e revendo as muitas técnicas que chegamos mais perto de uma imagem perfeita. Os segredos que se escondem por trás dos inúmeros controles de uma câmera podem ser resumidos em dois ingredientes principais: conhecimento e prática. O conhecimento técnico, além de ser um tema mais difícil do que a composição visual ou a criação, ainda deve ser posto em prática. As informações que o sono acaba encobrindo no passar dos slides de aula nos espantam na hora do click, e fazem a diferença na imagem final.
Entre muitas caracteristicas presentes em um bom fotógrafo, podemos destacar também a força de vontade de sair da cama às 8 horas da manhã de um domingo nublado para fotografar o Mercado Municipal. Como estávamos entre amigos, as 3 horas de trabalho, além de render boas imagens, passaram em um clima de descontração, com piadas, risadas e compras. Esta é, sem dúvida, a melhor maneira de se reunir todos os ingredientes da formação de um bom profissional.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Conto:

Plano Perfeito
Madrugada, tudo estava planejado e revisto; o carro abastecido, a cópia das chaves roubadas da casa, a arma com silenciador essa não deveria ser usada, tinha que parecer acidental. Tudo certo, era só começar.
Ela dirigiu pelas ruas da cidade com muita calma, tudo estava sob controle. No caminho teve tempo de repassar cada passo do plano, levando em consideração todas as possibilidades. Estava tranqüila, sua única preocupação era que tivesse mais alguém na casa, afinal, ela não precisava de mais vítimas, o alvo era só um.
Chegando à casa observou que seu alvo estava só. Abriu a porta com muito cuidado, não podia fazer barulho. Subiu as escadas devagar e chegou ao quarto. Viu que a vítima estava dormindo, tudo como previsto.
Então, em silêncio montou a armadilha, algo muito simples, um acidente que poderia acontecer com qualquer pessoa. Primeiro, desligou a chave de luz, depois com a ajuda de uma lanterna de luz mínima, se posicionou no corredor próximo a escada, que era escorregadia e muito perigosa.
Pegou seu celular e ligou para a casa da vítima. Com isso ela teria que se levantar, pois os telefones ficavam na sala e na cozinha, ambos no andar inferior. O único problema seria se o alvo não acordasse, mas ela tentou não pensar nisso e então ligou.
A vítima acordou, levantou-se e tentou acender a luz, em vão. Como o telefone não parava de tocar, decidiu tatear as paredes para chegar até ele, afinal era sua casa, a conhecia muito bem. Ao chegar à escada sentiu um empurrão. Estava escuro e a escada, além de não ter corrimão, era de um piso muito liso. Aconteceu a queda. O planejado aconteceu: o pé pisou inseguro na ponta da escada, escorregou e a vítima rolou 15 degraus abaixo.
Com auxílio da sua lanterna, ela certificou-se de que a vítima estava imóvel. Desceu as escadas, verificou o pulso da vítima e saiu. Fora da casa já em seu carro, no meio da estrada, ela pode, enfim, respirar, e ter a certeza de que aquela mulher jamais afetaria sua vida novamente
Patricia Strogenski
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Esporte:

O mundo moderno da F1
Um complexo moderno. Esse talvez será o mais novo pupilo da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
Abu Dhabi, Emirados Árabes, entra como uma das sedes para um Grande Prêmio de Fórmula 1 com grande estilo. Pode-se dizer que o circuito de Yas Marina será mais um centro de lazer, com hotel, um museu da Ferrari, prédios comerciais e residenciais, pista de kart, além de um surpreendente parque temático da Warner Bros. Isso mostra a grandeza da obra da Abu Dhabi Motorsports Management (ADMM), empresa responsável pelo GP.
O sheik Mansour bin Zayed Al-Nahyan, fundador da ADMM que também é dono do clube inglês Manchester City, vêm sendo o responsável pela obra que têm como destaque o hotel que, com a mesma tecnologia usada no Estádio alemão do Bayern de Munique, terá a fachada hotel mudando de cor.
O circuito é rápido onde, na parte mais veloz, poderá ser atingida uma velocidade superior a 315 km/h. Terá ainda 21 curvas em seus 5,5km de cumprimento.
Essa é uma prova de que o bilionário árabe não pensa somente em futebol. A única prova que não temos é dos valores que a ADMM vêm investindo no empreendimento que ainda está em construção, mas está confirmada para sediar a última prova da categoria mais famosa do automobilismo.
O direito de fechar com chave de ouro as temporadas de F1 agora é um privilégio dos árabes que são mais que merecedores pelo desenvolvimento das melhorias quanto à modernidade no mundo automobilístico, como o novo circuito. Para garantir esse sucesso, mais de 4 mil homens trabalham na obra que vem sendo realizada desde 2007 e que estará pronta bem antes da data da corrida, dia 01 de novembro.
O GP de Yas Ysland ocorrerá em uma ilha com cerca de 161 hectares de área total, local que dará um brilho extra com certeza ao evento da F1.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Artigo:

Manter a luz é preciso
Além de romancista de mão-cheia, consagrado internacionalmente ou contador de histórias, como preferia designar-se, “fascinado pelas pessoas e pelos problemas humanos”, lido e aclamado em vários idiomas, Erico Veríssimo era um homem de posições definidas e corajosas (sem que coragem, no caso, se confundisse com valentia, tão proprias dos pampas riograndenses), consciente e participante, cujo a voz anotou o prof. Sergio Gonzaga, “independente dos livros que escrevia, ecoava por toda a Nação”. E, numa época que ainda exixtia esquerda e direita, ousou atacar as duas. Em defesa da democracia e da liberdade de expressão. Exatamente quando essas duas instituições eram palavras malditas, abominadas pelo poder dominante e banidas do vocabulário brasileiro os anos de chumbo da ditadura militar. Contava Erico Verríssimo que esse negócio de liberdade fazia-lhe lembrar sempre de um episódio de sua infância, na terra natal: “Quando menino, fui chamado a segurar uma lâmpada, enquanto um soldado operava um pobre-diabo que tinha sido ‘carneado’ pela policia municipal. Ele estava horrivelmente ferido, apareciam-lhe os intestinos e tinha o rosto todo retalhado. Eu sentia medo e náusea, más não larguei a lâmpada. Ach que a nossa tarefa, como escritor, é esta: com medo ou não, segurar a lâmpada acesa para deixar que apareçam as injustiças do mundo”. E acentuava: “Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, no último caso, risquemos fósforos repentidamente, como um sinal de que não desertamos de nosso posto”.
Esse era Erico. Assim também deveria ser os nossos jornalistas. Com náuseas ou com medo, deveriam sustentar acesa a luz que desnuda aos olhos da população os vendilhões da pátria, os falsos defensores do povo e a caterva que esta sempre pronta para assumir o poder, custe o que custar.
Eu, pelo menos, modestamente, tenho procurado fazer isso, gastando meus palitos de fósforos como me é possível. Sem medo, mas com muita náusea, confesso. Por isso, sempre tive Erico Veríssimo como um exemplo. De competência profissional, de dignidade, de inttegridade e de coragem pessoal, além, sobretudo, de coerência: um destemido soldado na defesa dos direitos humanos e da liberdade de pensamentos e da ação, com acentuado sentimento de justiça e repugnância pela violência e por qualquer tipo de tirania ou totalitarismo.
Ele, aliás, tinha apenas um receio confessado: de perder a capacidade de indignação e cair na resignada aceitação.
“Não quero ser indiferente”, frisava, acrescentando: “Dentro de mim ouço sempre o meu grito de indignação. Quando choro pelo outro, sei que estou chorando por mim. Quando tenho receio pelo outro, tenho-o também por mim. Não sou santo, sou apenas um homem”.
Sim, apenas um homem, mas um homem que era fascinado pela capacidade humana de sobreviver e para quem o grande herói deste País sempre foi e sempre será o povo, ser comum, que, se contina vivo, é de teimoso. Até porque, como dizia Erico, “no Brasil, infelizmente, o governo não é exercido por estadistas, mas por homens de negócio”. Isto foi dito há algum tempo, mas, como se sabe, as coisas não mudaram muito desde então.
Artigo de Célio Heitor Guimarães,
publicado no jornal O Estado do Paraná, no domingo, dia 04 de janeiro de 2009.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cinema:


O curioso caso do filme que vale a pena
A princípio todo filme deveria ser "de arte". Afinal, o cinema é a chamada "Sétima Arte". Contudo, muitas vezes o filme de arte é visto com mal olhos. Tem fama de chato e intelectóide. Com tantos filmes-pipoca que só visam o lucro fácil, um filme bem feito tem que ser visto como um presente. "O curioso caso de Benjamin Button", que estreou semana passada no Brasil, veio embalado para presente, numa imensa caixa com uma fita brilhante. E nem é meu aniversário.
É a prova de que um filme relativamente lento, com muitas cenas sem diálogos e longo pode ser sim, muito divertido.
O filme é uma fábula sobre o tempo e sua influência nas relações humanas. Conta a história de Benjamin Button, um homem que já nasceu velho. Com uma aparência terrível, é abandonado na porta de um asilo. Lá é adotado por uma jovem que o vê com olhos maternais e acredita que ele seja um milagre. Todos acham que ele vai morrer a qualquer momento, mas isso não acontece. Benjamin rejuvenece com o tempo, até o fim da vida.
O ambiente do asilo cai como uma luva na primeira infância de Benjamin. Afinal, ele é uma criança que tem catarata, artrose, é quase surdo e muito enrugado. Não é a toa que a primeira parte do filme é a mais interessante. É nesse asilo que ele conhece a neta de uma das moradoras, Dayse, o grande amor da sua vida.
Brad Pitt interpreta Benjamin Button e Cate Blanchet é Dayse. Os dois estão muito bem. Brad é um ator que se supera a cada filme, e é cada vez mais reconhecido pelo trabalho, a despeito de seu casamento-espetáculo com Angelina Jolie. O ator já está cotado para ganhar o Oscar, por esse que é mais uma parceria com o diretor David Fincher. Os dois já trabalharam juntos em "Seven-Sete Pecados Capitais" e "Clube da Luta". Fincher é famoso por fazer filmes que deixam a crítica em pavorosa, mas nem sempre é sucesso de público. Com este filme, provavelmente o sucesso virá completo.
Tilda Swinton é a mãe de Benjamin, em uma interpretação inspirada. Julia Ormond a filha de Dayse. O roteiro é uma adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald. Mesmo que seja tentador ter uma aparência de 15 anos com uma experiência de 65, com Benjamin descobrimos que isso não é assim tão divertido. O filme ainda conta um pouco da recente história americana (eles não resistem a isso...), e discute a imensa sabedoria das crianças, que parece ser inerente a elas e a lucidez disfarçada dos idosos, não exatamente nessa ordem.
Veja trailer: http://tvparanaense.rpc.com.br/player.php?Video_ID=34053&programa=&descr=&guia=1&autostart=1
Simone Lima
Estudante de Com. Social - Jornalismo

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Artigo:

O Capitão da América
Dois milhões. Esse foi o número aproximado de pessoas que tiveram o privilégio de presenciar um dos fatos mais marcantes da história dos Estados Unidos. O empossamento de Barack Hussein Obama macou o fim do mandato de George W. Bush, concretizando o desejo da maioria dos americanos O homem não conquistou somente os EUA. Ele conquistou povos dos quatro cantos do planeta que o queriam como presidente tanto quanto os norte-americanos. Um afro-americano de descendência queniana por parte de pai. Pela primeira vez na história americana, um afro descendente chega à Casa Branca.
Assim, ele chega para mudar a história, pelo menos para os yankees Ele afirmou no dia de sua posse que os problemas são maiores que o esperado e que o imaginado. Mas Obama passa a ter o cargo mais poderoso do planeta . A afirmação de que os EUA estariam preparados para continuar reinando era tudo o que cada cidadão no Capitólio em Washington queriam ouvir.
Enfim, término da festa e dos dos mais de cinquenta bailes em comemoração pela posse. O início é marcado pela consciência do grande trabalho que o líder americano terá junto aos seus conselheiros e tentar reerguer uma nação acabando com um déficit de $1 trilhão.
Seguindo os passos de Lincoln ou não, o que os americanos buscam saber como todo o restante do planeta é se Barack Hussein Obama realmente entrará para a história como o homem que salvou a economia mundial.
Infelizmente para ele, o que se vê é que a economia mundial não é o único problema dos americanos. Seu governo deverá se firmar sobre dois pilares: o econômico e o político. Pelo lado econômico, medidas para a reestruturação já foram anunciadas, como o congelamento de salários de funcionários
É fato que o 43º presidente sai da Casa Branca após oito anos com a popularidade mais baixa de todos os tempos. Um governo de péssimos atos faz com que a maior parte do trabalho do novo governante, seja pela consequência do então velho governo Bush. Nota-se pela série de ligações que já feitas e pelas prováveis visitas ao Oriente Médio, tudo pela reparação aos danos com a permanência das tropas no Iraque, fato que contribuiu significantemente para o déficit americano. Obama literalmente terá que limpar a sujeira de Bush.
Podemos concluir que os Estados Unidos começam o ano dispostos a trabalhar para manter sua hegemonia mundial. Essa é a maior “guerra” que visam no momento. Algo que não depende somente do possível e mais novo Super Homem.
Hamilton Junior
Estudante de Com. Social - Jornalismo

domingo, 18 de janeiro de 2009

Publicidade Criativa

Ariel Golinski
Estudante de Com. Social - Produçãi Editorial

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cinema:

"Despedida em Las Vegas" é uma uma linda história, porém, um filme triste. Se você procura diversão não o assista. Se você procura conforto para suas frustações também não o faça. A sensação de solidão só aumenta depois dele.
Assista pelo prazer de ver uma obra de arte dos mínimos aos grandes detalhes. Da música à fotografia. Do texto às interpretações. Um filme muito inspirado.
O diretor Mike Figgis adaptou roteiro do filme a partir de um livro autobiográfico do escritor John O'Brien, que se suicidou duas semanas depois que a produção do filme começou.
A história é sobre Ben e Sera, interpretados por Nicolas Cage e Elisabeth Shue. Ele é um roteirista alcoólatra que acabou de ser despedido de seu último emprego. Ela, uma prostituta que é explorada por um cafetão paranóico. O filme não fica explicando o passado dos dois. Em algum momento Ben diz " não sei se minha mulher me deixou porque eu bebia, ou eu comecei a beber porque minha mulher me deixou...". Sera não padece da Síndrome de Cinderela que outras prostitutas do cinema sofrem. Ela é o que é.
Num mundo onde a solidão é uma regra, eles são personagens que se situam à margem da sociedade aparentemente por escolha própria. Neles, a solidão é uma fuga. Se envolver é muito perigoso para Sera pela própria natureza da sua profissão. Tudo que Ben não quer é um relacionamento, pois ele vendeu tudo que podia, pegou a recisão do último emprego e decidiu beber até morrer. Literalmente.
No entanto tudo o que os dois não precisam acontece. Se encontram um no outro. Do relacionamento mais improvável surge algo de verdade, quase palpável. Quando Ben olha Sera, não é preciso dizer mais nada. Está tudo ali. Muito explícito.
A atuação de Nicolas Cage é uma afronta a outros atores. Nunca mais depois de Ben, o ator foi tão soberbo. Muito se falou sobre sua interpretação na época do lançamento do filme, em 1995. Uns disseram que ele gravou as cenas bêbado, outros que ele se filmou bêbado para saber como se comportava como tal. Não importa. É a melhor interpretação da sua carreira. E lhe valeu o Oscar de melhor ator em 1996. Elisabeth Shue poderia ter sido só uma escada para Cage neste caso. Mas passa longe disso. Sua interpretação é sutil, mas comove. É uma grande atriz que nunca fez sucesso em blockbusters, nem tanto sucesso como merecia.
De qualquer forma, assistam o filme. Vale a pena pelo espetáculo. Lindo e emocionante.
Simone Lima
Estudante de Com. Social - Jornalismo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Crítica de Cinema:

Crepúsculo
Crepúsculo é o Best Seller de Stephanie Meyer que retrata a saga de amor do vampiro Edward Cullen com a humana Isabella Swan. Nesse primeiro livro da série é mostrado como eles se conhecem e se apaixonam, o filme baseado na história foi lançado no Brasil dia 19 de dezembro e estreou em segundo lugar nas bilheterias.
O filme até tenta ser fiel ao livro, porém a atuação de Robert Pattinson como Edward e de Kristen Stwart como Bella, deixam muito a desejar, afinal no livro o belo vampiro conquista sua amada através de olhares e gestos que o ator nem de longe consegue interpretar. Bella é desastrada e divertida, o que também não acontece no filme, sem contar que a história foi extremamente reduzida. Mesmo assim a Summit Entertainment já anunciou que o estúdio estará dando proseguimento à produçao de "Lua Nova" segundo livro da série.O terceiro livro "Eclipse" será lançado no Brasil no dia 16 de janeiro, o quarto "Breaking Down" ainda não tem previsão de lançamento aqui. São livros que valem a pena serem lidos.Quanto aos filmes, com sorte eles não filmam os quatro,e poupando bons livros de serem esquecidos devido a filmagens ruins, como quase sempre acontece no cinema.
Patricia Strogenski
Estudante de Com. Social - Jornalismo