Editorial

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Artigo: Excluidos versus Excmungados

Num país onde excomungam pessoas por atos considerados pecaminosos, à vista da igreja, é claro, temos também os excluídos – às vistas sociais, políticas e humanas. O personagem em questão é conhecido por Adriano. Sobrenome? Não se sabe. Creio quem nem ele lembre. Para quê sobrenome se ele vive em um mundo que se importa tão pouco com pessoas como ele? Que diferença faz? Apesar disso, segue sua vida atribulada pelas preocupações que são só suas: onde passar a noite, para onde ir, o que comer e que trabalho realizar. O amontoado de quinquilharias em seu carrinho se confunde com seu amontoado de decepções: ele não tem família nem amigos. Não tem perspectivas e sequer sabe o que faz. A venda do papel coletado rende-lhe alguns míseros trocados; muitas vezes não lhe bastam sequer para adquirir um desjejum ou almoço decente. Expulso do centro da cidade, segundo relato seu, foi obrigado a viver às margens daquele local e refugiar-se nos bairros – atualmente o local em questão é a Vila Hauer. Esse é o seu mundo, seu território geográfico limitado a andanças pela vizinhança atrás de algo para vender, ou melhor, algo que possa se transformar em alimento. Os pernoites acontecem dentro de seu carrinho para coleta de material reciclável. Aliás, dorme e consequentemente zela pelo que consegue juntar num dia de trabalho. Não tem outra opção. Os planos governamentais e assistenciais não o alcançam. Para a sociedade ele não existe. É uma figura conhecida - às vezes temida - apenas como “catador de papel”. Apesar disso, ele tem sua história. Triste, se conclui, mas é sua história.
Ezequiel Quister
Estudante de Com. Social - Jornalismo