Editorial

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fome

Alguns dizem que a fome começou na década de 80. Já outros, como eu, acreditam que este fenômeno existe há muito tempo. Bom, para um país que em 1983 estava em 4º lugar na exportação mundial de alimentos, pode-se dizer que estar na 6ª posição no “campeonato” da desnutrição nos anos 80, era uma coisa não esperada em tamanha grandeza, não é? Muitas desculpas podem ser arranjadas para tal situação na época, como por exemplo: a temperatura da época, o sistema político, o êxodo rural, o desemprego, o preço dos alimentos, as crises cíclicas, econômicas ou sociais. Hoje em dia podemos culpar não só estas citadas acima, como também a queda do dólar, o euro, e as outras moedas em si como culpadas. Não existe dinheiro para comida, mas para a tecnologia e para os políticos existe? São algumas coisas que realmente, são inaceitáveis. É inexplicável, sem motivo ou nexo.
Talvez eu esteja sendo cruel com o Brasil, ou que até mesmo esteja infeliz com o país que eu vivo. Fale-me do programa Fome Zero, e eu responderei que já foram criados antes, programas com o mesmo intuito, como o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS, criado em 1940); o II Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (PRONAN II, aplicado em 1976), entre outros. Eles serviram para alguma coisa? Sem sombra de dúvidas. Tais programas foram descritos como compensatórios, verticais e centralizados à nível federal. Admito que nos últimos anos, tal crueldade tem melhorado, devido à implantação do programa citado acima (fome zero), para ajudar famílias que passam necessidades em nosso país. Mas de que ele adianta, se muitos dos que morrem por fome, não possuem um teto para viver? De que adianta fazer uma cobertura jornalística a uma entrega de cestas básicas para milhões de pessoas em determinada região do Brasil, se quem realmente precisa dessas cestas básicas que estão sendo entregues, nem televisão tem? Não querendo desmerecer a quem já recebeu esta ajuda, acredito e espero que todos estejam vivendo muito melhor do que viviam antes.
De 1986 em diante, a fome passou a ser considerada como expressão mais nefasta do estado de insegurança alimentar. O que nós podemos pensar? É necessária a conscientização de que este “pequeno” problema vai além do que podemos enxergar, e não foi tratada ainda com a amplitude que merece. Não que haja alguma coisa que possamos fazer, mas apenas não podemos achar que a fome não existe, que ela não está em nosso dia-a-dia. Não tente se enganar. A realidade dói, fato. Mas é necessário perceber o que acontece ao nosso redor.


Isabella Villanueva de Castro Ramos
2º Período Com. Social - Jornalismo