Editorial

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sábado, 2 de maio de 2009

Conto: A Revolta dos Porcos

Romildo era um porco. Literalmente. Morava numa fazendo no México e vivia feliz entre outros suínos.
- Atchim!
Começou com um infortunado espirro.
- Se agasalha, Romildo... – pediu sua mãe. Romildo era teimoso. Logo pegou gripe, uma gripe “daquelas”, o que deixou seu dono, ao contrário dos porcos, com a orelha em pé. Romildo era seu melhor porco e, ao contrário dos outros, não iria virar feijoada.
- O destino de Romildo – contou o fazendeiro para os amigos -, é concorrer na feira anual do porco mais pesado.
Era. Romildo foi emagrecendo a olhos vistos. Passou de peso pesado para Marco Maciel. Já não servia nem pra virar um pobre pedaço de bacon.
O fazendeiro não teve outra saída a não ser vender Romildo para um turista americano. O porco virou “pig” e foi morar numa fazenda do Alabama.
Mas a gripe continuava. Por isso, percebeu o americano, Romildo custara tão barato.
- Atchim! Atchim!
Era a noite toda. O fazendeiro, no auge da irritação causada pela insônia, prometeu a si que no dia seguinte mataria Romildo. De forma lenta e dolorosa.
- A...a....a....ATCHÔÔÔÔÔÔÔÔ!
O americano acordou espirrando. Estranho. Não era de ficar doente.
- Atchim!
- Atchô!
Romildo e seu dono faziam um dueto de espirros. O americano estava certo de que seu recém porco havia lhe passado a gripe.
Então, fez o que todo americano costuma fazer. Exagerou:
- É a gripe suína!
Calamidade global. Perigo iminente. Pessoas usando máscaras e evitando a aglomeração dos metrôs. Porcos mexicanos terminantemente proibidos de entrar nos Estados Unidos. Obama esquece a crise e o Iraque e volta sua atenção para os porcos.
- Atchim! – proclama ele.
Calamidade. Especula-se que uma nova “peste negra” (a referência não agradou Obama) é iminente.
Os porcos se reúnem, fazem uma espécie de Concílio de Trento. Leitões de várias nações se reúnem em Genebra e discutem sobre seu futuro. Temem ficarem tão loucos quanto as vacas.
- Temos que fazer alguma coisa! – berra com ênfase um dos porcos.
Os porcos estavam preocupados, com razão. Em muitos lugares do globo, já estavam ordenando a matança dos porcos. Cortar o mal pela raiz, enfim.
- Eu tenho um sonho - poetizou um dos leitões. - ...Que nas colinas da Geórgia, homens e porcos possam se sentar a mesma mesa.
- Temos que fazer alguma coisa pra impedir este "holocausto suíno"! - cortou o discurso um outro leitão. - Temos que...
Subitamente os porcos se calam. Percebem a real situação. Mesmo que revertam esta paranóia global imposta a eles nos últimos dias, nada vai mudar.
Porcos são porcos. Nasceram para morrer em nossas mãos. Porcos não morrem de velhice, porcos vão para a panela. Ponto final.
O dia terminou com Romildo curando sua gripe com uma dose de uísque.
- É tudo uma porcaria. - pensou ele.
O mundo é dos humanos.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo