Editorial

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domingo, 24 de maio de 2009

Artigo: Hábitos alimentares não se discutem.

O feriadão estava chegando, resolvi aproveitar para matar saudades da família. Na
Sexta-feira mesmo após sair da faculdade peguei carona com meu irmão que estava pra cá. Depois de 2 horas de viagem em direção a Ponta Grossa estava em casa. Mal cheguei e minha cunhada já veio me chamando pra ir com ela na casa dos avós dela no dia seguinte.
Sábado de manhã, levantamos cedo, pois os avós dela morram em Carambeí, uma cidade a alguns quilômetros de Ponta Grossa. Chegamos lá tudo corria normal. Após responder um questionário sobre minha vida para o seu “Opa” como minha cunhada chama seu avô, a “Omã” da minha cunhada, “Omã” é como ela chama sua avó, entra na sala e me pergunta se eu gosto de sopa. Não sou lá muito fã de sopas, mais pra não ficar chato falei que gostava. Achei a pergunta meio estranha, mais continuamos com o interrogatório, que seu avó estava me fazendo, onde estudo, com o que trabalho, se tenho filhos, se pretendo voltar para Ponta Grossa e bla bla bla, quando fomos para a copa almoçar, uma coisa me chamou a atenção. Na mesa os pratos eram fundos e ao lado tinha colher, garfo e faca e uma panela gigante de sopa no centro. Sentamos o “Opa” dela fez a oração, então cada um se serviu, continuei achando tudo meio estranho, pra minha sopa cabia bem no inverno e à noite. Depois que todos terminaram de comer a panela de sopa foi retirada e veio então o almoço arroz, feijão, cenoura, carne, molho de carne, beterraba, tudo separadinho e em pequenas porções. Fiquei aliviada, achando que apartir daí não iria aparecer mais nem uma surpresa. Doce engano! Quando dou uma mordida na cenoura, minha cunhada me fala que esqueceu de me avisar, que a cenoura e a beterraba são doces cozinhadas com açúcar.
Depois da minha cara de estranheza, começou o “se não quer não precisa comer, se não gostou deixa de lado, que não tem problema”. Mas tava muito bom! Diferente do que sou acostumada a comer mas gostoso. Quando achei que estava acabado vem a “Omã” da minha cunhada com um pote de iogurte natural feito em casa de sobre mesa e um açucareiro. Após a sobre mesa mais uma oração e a leitura da bíblia. Uma hora depois estávamos todos bem alimentados, a partir mistura de costumes holandês com brasileiros.
Depois desse feriado posso aumentar mais um item em um velho ditado popular, afinal de contas hábitos alimentares também não se discutem.
Larissa Glass
Estudante de Com. Social - Jornalismo