Editorial

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domingo, 26 de abril de 2009

Conto: Defuntinha

Às vezes, coisas para lá de estranhas acontecem na vida das pessoas. Quando a mãe de Marquinhos avisou que estava grávida de uma menina, ele passou a sonhar com a irmã.- Mas vê se pode! A bichinha nem nasceu! - ria a tia cada vez que o menino descrevia os devaneios.
Em seus sonhos, não via a irmã como um bebezinho. Já era crescida, moça, traços fortes e olhos cor de mel. E não apenas se viam, como também conversavam.- Me conta alguma coisa sobre a vida. - perguntou ela, em certa ocasião.
- Eu não sei muita coisa sobre a vida.
- É claro que não. Você é só um menino. – disse, se desmanchando numa linda risada.- E você, que nem nasceu ainda?Eram sonhos realmente absurdos. A mãe não se importava com a imaginação do menino. Toda vez que perguntava a ele sobre a filha que ainda nem nascera, as notícias eram sempre as melhores. Era uma menina linda, sorridente...- E que nome colocará nela, mamãe?- Eu não sei ainda. – e, num gesto de zombaria, sugeriu - Por que não pergunta para ela?E foi o que ele fez. No sonho, ela disse que gostaria de chamar-se Mel.- Como seus olhos. - sorriu Marquinhos.No dia seguinte contou a mãe.- Mel? Eu não sei...estava pensando em Débora, ou...- É, você que sabe. - lamentou Marquinhos - É o desejo dela. Acho que ela tem o direito de escolher o nome que vai ter pelo resto da vida.A mãe ponderou e resolveu aceitar. Logo, toda a família já se referia ao bebê como Mel. A mulher também passou a se interessar mais pelos sonhos do filho. Afinal, eram tão bonitos...Chegou uma noite que Marquinhos sonhou pela última vez com a irmã. Era o mesmo prado de sempre e um corria em direção ao outro. Geralmente ela o recebia com a mais intensa alegria, mas não desta vez. Seus olhos estavam tristes e vazios.- O que você tem?Ela não respondeu. Foi andando para trás, com um sorriso triste e esquisito. Sumiu na paisagem depois de um último aceno.- A bolsa rompeu!O pai de Marquinhos levou às pressas a esposa para o hospital. Era o grande dia, finalmente. O dia de Mel chegar ao mundo.Marquinhos estava em casa com a avó. Ansioso, contava os minutos para os pais chegarem com sua nova irmãzinha. Queria ver se ela, apesar de tão novinha, já tinha aqueles olhos tão cativantes e o sorriso mais lindo que pode existir.Ele não entendeu nada quando os pais entraram em casa com os olhos secos de tanto chorarem. Só foi entender mais tarde, quando tentaram explicar:
- O bebê nasceu morto.Nasceu morto.
Era estranho demais, não fazia sentido.
Lembrou do seu último sonho com a irmã, aquele aceno de despedida. Era tudo muito esquisito, e queria entender por que algumas coisas acontecem.Mas ele era só um menino, e ainda tinha muito a aprender sobre as coisas doidas da vida.
Diego Gianni
Estudante de Com. Social - Jornalismo