O jornalista Cláudio Barcelos 33 anos de profissão, esteve nesta segunda-feira, dia 23 de março, no auditório Gregor Mendel da Pontifícia Universidade Católica do Paraná para fazer uma palestra para 300 estudantes da área de comunicação.
Em uma conversa descontraída contou histórias da sua trajetória, dificuldades e curiosidades da sua profissão.
Sua primeira reportagem assinada como Caco Barcelos, aconteceu quando o jornalista vestiu-se na pele de um taxista e foi às ruas de São Paulo para averiguar como seria a vida destes trabalhadores.
Explicou que um repórter tende a contar melhor uma história quando está envolvido nela. E surpreendeu quando disse que um repórter, para falar diretamente em rede nacional, leva de sete a dez anos, em média.
Por isso desenvolveu o projeto Profissão Repórter, cuja proposta era trabalhar com repórteres iniciantes, sem experiência e que pudessem acelerar o processo dentro da profissão. Ou seja, não precisariam passar de sete a dez anos para atingirem a massa. Sofreu resistências dos colegas jornalistas que não admitiram que jornalistas iniciantes fossem poupados do processo comum dentro da redação.
No processo de seleção, no qual 24 mil jornalistas concorreram a 30 vagas, inicialmente foram selecionados 150 para uma peneira de 30 escolhidos. Estes profissionais ficam responsáveis por quatro funções que, na maioria das vezes, são realizadas por quatro grupos de 5 profissionais. São elas: pesquisa, produção, edição e finalização.
Quanto ao perfil do jornalista de sucesso, Caco descatacou algumas característica fundamentais: o jornalista tem de ser alguém inquieto, inconformado mesmo quando tudo parece estar bem, há que buscar e cobrar mudanças.
Segundo Caco, um profissional que quer falar a verdade não pode basear-se somente em entrevistas, isso é pouco. Entrevista é “lixo ou apenas pauta”. Entrevista é, sim, importante mas a investigação é fundamental já que lidamos com a honra de terceiros e não podemos fazê-lo sem provas. Ele aconselha:nunca faça reportagens usando declarações sem a certeza de que são verdadeiras.
O jornalista ainda falou sobre o preconceito de classe. É ele quem determina a qualidade do trabalho, se é bom ou ruim. E para finalizar deu o exemplo de uma jornalista:
Caco saiu a campo para conhecer a vida dos usuários de craque. Conheceu um grupo de usuários e, entre eles, uma moça chamada Esmeralda. Magra e judiada pelas ruas de São Paulo, Esmeralda costumava dormir nos quentinhos da cidade, bueiros que soltam vapores quentes. Ela contou que costumava a ser acordada aos pontapés pelos policiais e se considerava uma pessoa de sorte por não terem estragado todos os dentes com os chutes. Quinzeanos depois ele volta as ruas para conferir a veracidade de que os usuários de craque não conseguem abandonar o vício. Uma vez viciados, morrem assim. A única pessoa do grupo de 15 anos atrás que ele encontrou era Esmeralda. Mais gordinha, ela contou que passou 10 anos presa e na cadeia começara a estudar, agora era jornalista formada.
Esmeralda tinha o sonho de entrevistar Mano Brown, o vocalista do grupo Racionais. Mas Mano Brown era avesso a entrevistas e relutou para conceder a entrevista. Ela insistente, perseguiu-o durante 15 dias tentando conseguir a entrevista. Em uma noite de show o grupo conseguiu reunir três milhões de pessoas no centro de São Paulo. Neste show, a polícia avançou sobre a multidão e formou-se uma guerra no centro de São Paulo. Vários tiros de borracha, bomba de gás e pessoas machucadas.
No dia seguinte, na redação da Rede Globo a diretoria estava furiosa, pois uma guerra havia acontecido na madrugada e ninguém estava lá para registrar. Foi quando Caco informou a diretoria que Esmeralda estava lá. Então a diretoria questionou o porquê de não terem chamado alguém mais experiente para cobrir episódio. Foi quando Caco, pedindo licença a Esmeralda, tomou posse de uma sacola de fitas que ela tinha nas mãos e despejou-as todas sobre a mesa da diretoria dizendo o seguinte:
“Esta que vocês costumam a chamar de craqueira inexperiente passou a noite toda no centro de São Paulo fazendo a cobertura de tudo, registrou tudo em imagens que estão aqui, enquanto os bons profissionais, os experientes estavam dormindo.”
As imagens que Esmeralda fez foram as únicas imagens registradas do acontecido. A emissora vendeu as imagens para as concorrentes e também para redes internacionais.
Vanuza da Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo
Em uma conversa descontraída contou histórias da sua trajetória, dificuldades e curiosidades da sua profissão.
Sua primeira reportagem assinada como Caco Barcelos, aconteceu quando o jornalista vestiu-se na pele de um taxista e foi às ruas de São Paulo para averiguar como seria a vida destes trabalhadores.
Explicou que um repórter tende a contar melhor uma história quando está envolvido nela. E surpreendeu quando disse que um repórter, para falar diretamente em rede nacional, leva de sete a dez anos, em média.
Por isso desenvolveu o projeto Profissão Repórter, cuja proposta era trabalhar com repórteres iniciantes, sem experiência e que pudessem acelerar o processo dentro da profissão. Ou seja, não precisariam passar de sete a dez anos para atingirem a massa. Sofreu resistências dos colegas jornalistas que não admitiram que jornalistas iniciantes fossem poupados do processo comum dentro da redação.
No processo de seleção, no qual 24 mil jornalistas concorreram a 30 vagas, inicialmente foram selecionados 150 para uma peneira de 30 escolhidos. Estes profissionais ficam responsáveis por quatro funções que, na maioria das vezes, são realizadas por quatro grupos de 5 profissionais. São elas: pesquisa, produção, edição e finalização.
Quanto ao perfil do jornalista de sucesso, Caco descatacou algumas característica fundamentais: o jornalista tem de ser alguém inquieto, inconformado mesmo quando tudo parece estar bem, há que buscar e cobrar mudanças.
Segundo Caco, um profissional que quer falar a verdade não pode basear-se somente em entrevistas, isso é pouco. Entrevista é “lixo ou apenas pauta”. Entrevista é, sim, importante mas a investigação é fundamental já que lidamos com a honra de terceiros e não podemos fazê-lo sem provas. Ele aconselha:nunca faça reportagens usando declarações sem a certeza de que são verdadeiras.
O jornalista ainda falou sobre o preconceito de classe. É ele quem determina a qualidade do trabalho, se é bom ou ruim. E para finalizar deu o exemplo de uma jornalista:
Caco saiu a campo para conhecer a vida dos usuários de craque. Conheceu um grupo de usuários e, entre eles, uma moça chamada Esmeralda. Magra e judiada pelas ruas de São Paulo, Esmeralda costumava dormir nos quentinhos da cidade, bueiros que soltam vapores quentes. Ela contou que costumava a ser acordada aos pontapés pelos policiais e se considerava uma pessoa de sorte por não terem estragado todos os dentes com os chutes. Quinzeanos depois ele volta as ruas para conferir a veracidade de que os usuários de craque não conseguem abandonar o vício. Uma vez viciados, morrem assim. A única pessoa do grupo de 15 anos atrás que ele encontrou era Esmeralda. Mais gordinha, ela contou que passou 10 anos presa e na cadeia começara a estudar, agora era jornalista formada.
Esmeralda tinha o sonho de entrevistar Mano Brown, o vocalista do grupo Racionais. Mas Mano Brown era avesso a entrevistas e relutou para conceder a entrevista. Ela insistente, perseguiu-o durante 15 dias tentando conseguir a entrevista. Em uma noite de show o grupo conseguiu reunir três milhões de pessoas no centro de São Paulo. Neste show, a polícia avançou sobre a multidão e formou-se uma guerra no centro de São Paulo. Vários tiros de borracha, bomba de gás e pessoas machucadas.
No dia seguinte, na redação da Rede Globo a diretoria estava furiosa, pois uma guerra havia acontecido na madrugada e ninguém estava lá para registrar. Foi quando Caco informou a diretoria que Esmeralda estava lá. Então a diretoria questionou o porquê de não terem chamado alguém mais experiente para cobrir episódio. Foi quando Caco, pedindo licença a Esmeralda, tomou posse de uma sacola de fitas que ela tinha nas mãos e despejou-as todas sobre a mesa da diretoria dizendo o seguinte:
“Esta que vocês costumam a chamar de craqueira inexperiente passou a noite toda no centro de São Paulo fazendo a cobertura de tudo, registrou tudo em imagens que estão aqui, enquanto os bons profissionais, os experientes estavam dormindo.”
As imagens que Esmeralda fez foram as únicas imagens registradas do acontecido. A emissora vendeu as imagens para as concorrentes e também para redes internacionais.
Vanuza da Silva
Estudante de Com. Social - Jornalismo